break point

A conversa começa com ‘você está aqui na minha mente, na tela do meu computador, no meu corpo’. E ele segue dizendo que sente na pele a temperatura do meu corpo e a sua taquicardia adolescente pulsante. Diz que anda sonhando acordado, que se lembra dos tempos em que me encontrava nas quadras [de tênis]. Dos tempos em que ele não tinha coragem pra me dizer que já sonhava com ‘minha cintura se encaixando na dele’. O que ele não sabia é que muitas vezes era eu quem parava e ficava assistindo. A cada saque, um suspiro. Os movimentos daquele ‘menino’ eram precisos, e, ainda que não fossem, a força empregada nas porradas me deixava meio fascinada. Jogava desde pequeno. Jamais imaginei que ele me observasse ou me desejasse. Nossas poucas conversas eram superficiais e curtas.

Até que, de tanto ler meus textos, essa baixaria sofisticada que descreve minhas sensações, ele resolveu me procurar na ‘private’ para declarar que estava surpreso. O conteúdo do que escrevo fez com que ele sentisse no direito de me descrever as sensações que as minhas confissões lhe despertavam, sem medo, escrúpulos ou pudor. Fiquei assustada e excitada. Abri a guarda. Não existe mulher no mundo que não fique fascinada quando desperta no outro um desejo exposto ou velado. Ser parte de um sonho de adolescente é tão excitante quanto realizá-lo.

Ele começou a me relatar ‘nosso’ passado, falou das vezes em que me viu jogar, descreveu as roupas que eu usava e falou das vezes que já havia se masturbado imaginando me devorar. Senti vontade de cheiro e saliva. Fiquei molhada. Seu discurso era intenso. Parecia um adolescente daqueles que tentam controlar o incontrolável, perdem a noção do tempo, do perigo, perdem tudo, menos a vontade e as certezas que duram pouco.

Ele começa a descrever em detalhes cada pedacinho do que pensava. E chegava perto do que toda mulher gosta. Sua escrita me tirou do sério. Não, nunca estive no sério. Eu lia e não sabia o que fazer com as mãos. Uma entre as pernas e outra no teclado. Ele diz que quer que eu sinta o que meus leitores sentem quando escrevo. Eu aceito. Ele não faz rimas de amor. Ele quer sexo por sexo e isso me deixa ainda mais descontrolada. Depois de uma ou meia hora [perdi a noção de tempo], ele perde o ‘controle’ e diz que quer me encontrar pessoalmente. Para a minha surpresa, eu topo e saio de casa, despenteada, correndo, como se aquilo fosse um filme que tivesse hora marcada para terminar. Me bate o medo do real e o pavor de estar sendo seduzida pelo virtual. Ele escrevia, eu me contorcia.

Em uma espécie de beco, entre o meu prédio e o dele. Ele me beija na boca com uma intimidade assustadora. Ambos completamente ofegantes, assustados, desesperados. Ele desce suas mãos afoitas por todo e cada canto do meu corpo. Fica de joelhos e começa a me lamber como um louco. Ali, já ‘tomada’, deixei meus pensamentos e o controle voltarem pra casa sozinhos.

Depois de horas [minutos] me devorando com a língua, ele volta pro andar de cima, me beija na boca lambuzado pelo meu gosto e me segura pela cintura. Me levanta e faz com que eu cruze minhas pernas ao redor do seu quadril. Me encosta na parede e ‘puta que me pariu’. Destemido, deseperado, descontrolado, casado.

Um adolescente numa churrascaria. Vítima da monogamia.

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