groove

 

deixei pro último dia, assim, se alguma coisa não desse certo ao menos não duraria o suficiente para dar errado. o combinado – sempre velado – era partirmos para a casa dele e passarmos a noite fazendo sexo descomplicado. sexo por sexo. prazer. diversão. brincar de soltar pipa no meio de um furacão. paramos num bar para tomar três chopes e esperar o trânsito passar. tomamos mais que isso. saí pra fumar e ele veio me acompanhar. entre um trago e outro, o primeiro beijo. beijo de calçada. beijo que se eu estivesse vendo de longe, fotografava. ele na rua e eu em cima da guia. dois corpos apertados e já pedindo pressa. a correria. aquela sensação de que o mundo pode e vai acabar mas não antes daquela oportunidade desfilar. vivo cercada de amigos gays e de homens que só comem meninas com metade da minha idade. dentro do carro, a gente tentava conversar e respirar. eu cruzava as minhas pernas para tentar me segurar. o trânsito não ajudava e a gente começou a se trocar. corpo de passageiro invadindo o espaço do motorista e vice-versa. paramos na farmácia para comprar camisinhas que permanceram intactas no saco plástico. chegamos. ele foi me apresentando a casa no tato. a vontade de trepar era quase constrangedora. eu parecia um bicho e ele ali, tentando me domar. não foi preciso muito tempo para que os batimentos cardíacos e a frequência respiratória começassem a se afinar. habilidade de músico. aqueles que fazem você parar quando está quase chegando lá. escala menor, maior, natural ou primitiva. fórmula de compasso forte, fortíssima, fundamental. prato de condução, pratos de ataque. perdi o chão. ele no pedal e eu num pedestal. complexo esse sexo. toca de novo?

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