marlboro man

Em Los Angeles, a filha de uma amiga estava internada, com pneumonia, num hospital enorme. Naquele tempo, Madison tinha 3 ou 4 meses de vida. Na hora da troca de turno, entra o pai e sai a mãe, eu, que estava com a mãe, disse que a esperaria no térreo, fumando um cigarro. Em outras palavras: cometendo um crime. Quem fuma sabe o que é fumar nos Estados Unidos. Exige uma incrível força de vontade.

Me distanciei da porta de entrada do Hospital, andei uns 100 metros e fumei de pé, no frio, no estacionamento.

De repente, surge um homem aflito, numa cadeira de rodas, vestindo a camisola do Memorial Hospital, e me pede um cigarro. Hesitei um instante. Afinal, o cara estava internado, doente, e na terra do povo que atualmente encara o fumante com o mesmo respeito que encara um pedófilo. Aliás, não. Presunção minha. Eles sentem ódio dos pedófilos. Dos fumantes sentem uma mistura de nojo e pena. Dei o cigarro pro cara, emprestei o isqueiro e ele começou e me descrever um problema no joelho. Tinha uma voz rouca e me disse que era do Texas. Eu disse que era do Brasil e que estava com uma amiga. Paramos por aí. Nosso papo de fumantes solidários foi interrompido.

Guardas, uns quatro ou cinco, começaram a se aproximar. Achei estranho mas não tive tempo de imaginar nada. Pelos meus olhos arregalados, meu ‘companheiro’, que estava de costas para os guardas, percebeu que alguma coisa acontecia. Imediatamente e inutilmente, transformou-se num atleta paraolímpico e tentou chegar aos portões de saída. Eu continuei paralisada e por muito pouco não levantei as mãos para mostrar que eu não estava armada e que tudo o que tinha era uma maço de Marlboro em punho. Depois que um dos caras resgatou o cadeirante, um outro veio em minha direção para me perguntar se eu estava bem. Eu disse que sim. Ele me pediu desculpas e disse que o paciente era um criminoso. Obviamente, depois de perceber que o texano não tinha me ameaçado e que aquilo não era um plano de fuga, ele sorriu e disse: ‘You should quit smoking. It’s safer’.

Minha amiga desce, me pergunta o que está acontecendo e, depois de ouvir minha resumida explicação [ eu dei cigarro para um criminoso ], ela ri alto [ o que foi ótimo, já que rir não é fácil para uma mãe que tem um bebê, recém-nascido, numa UTI ] e diz: _ Acenda um cigarro para mim, imediatamente! _ Você parou há meses! _ Foda-se.

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