trilha sonora

Formação de pares, atividades pré-copulatórias e cópula envolvem complexas expressões faciais, posturas e vocalizações. Há quem goste muito de palavras [murmuradas ao pé do ouvido] antes, durante ou depois do ato. Eu detesto. Acho o barulho do silêncio sagrado.  A trilha sonora já é perfeita: respiração ofegante e gemidos incontroláveis.

A vocalização que faz sentido [me refiro a sentenças com sujeito, verbo transitivo ou intransitivo, adjetivos e pronomes], me desconcentram e me fazem lembrar roteiros de filmes pornográficos. Um “vou te comer bem gostoso + um goza para mim, goza gostosa” fazem com que eu me arrependa de três coisas: 1. estar ali. 2. de não estar usando ear plugs 3. estar ali  [de novo]

Sexo não precisa de locução nem tem roteiro padrão. Mantenha a boca e as mãos ocupadas. Esqueça as palavras. Sim, existem homens que gostam de narrar a trepada. E dão comandos. “Agora, chupa. Agora, senta em cima de mim e mexe devagar, rebola”. “Isso, isso, agora eu vou gozar dentro de você, sem camisinha”.

As mudanças de expressões faciais e posturas acontecem naturalmente, como no reino animal.
O nervosismo e a agitação se reduzem pouco a pouco, se as manifestações mútuas forem suficientemente fortes para ambos. Nas atividades pré-copulatórias, vulgarmente conhecidas como preliminares, as roupas são parcialmente ou totalmente eliminadas e a estimulação tátil toma conta da cena. O corpo fala e só abre a boca pra fazer o que tem que ser feito.

Voltando às preliminares, os contatos boca-boca atingem frequência e duração máximas durante essa fase e a pressão exercida pelos lábios vai variando. Os lábios e línguas vão além da boca e tocam outras regiões do corpo do parceiro. os batimentos cardíacos aumentam.

Em regra, o ato se realiza com os dois parceiros virados um pro outro, ambos na horizontal. Há muitas, muitas, muitas variantes dessa posição, que hoje é injustamente chamada de papai-mamãe.

Por motivos que eu desconheço, a posição foi injustamente classificada como pouco prazerosa, careta, nada criativa. Tornou-se sinônimo de sexo insosso. Sexo não é malabarismo nem circuito de academia. Sou uma mulher tradicional, fascinada por sexo oral e acho que mulheres que não engolem porra não sabem o que estão perdendo. Homens que não curtem sexo oral estão fora dos meus planos. Os verdadeiros são fascinados pelo cheiro, pela textura e pelo gosto, umidade [lubrificação natural], despertada por eles desde o primeiro toque. Às vezes, bastam mãos dadas. Que dádiva.

Jamais usarei fantasias de enfermeira ou coisa parecida. Estou fora do time das que fazem curso de strip-tease ou usam brinquedinhos para aquecer o que já deveria estar aquecido. Faço parte do time das mulheres que foram feitas para se comer com muita atenção e dedicação.

Sempre fiz. Só demorei mais de 30 anos pra ter certeza disso.

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