Guia rápido de constrangimentos natalinos

No amigo oculto ou secreto, familiares e agregados costumam fazer sorteios e assim definem, em segredo, quem vai presentear quem na noite de Natal.
É só uma brincadeira, uma confraternização. Entendo, aceito, mas detesto participar de eventos festivos coletivos e obrigatórios.
Fico constrangida.
De qualquer forma, participo.
E desenvolvi metas e técnicas para isso.
Como conseguir participar do evento – sem demonstrar que você gostaria de se atirar pela janela – no momento em que as pessoas começam a descrever seus respectivos amigos secretos – usando piadinhas – para que todos os outros tentem adivinhar quem é o amiguinho do outro.
1. Beba moderadamente
Tente sentir-se muito bem rodeada de sacolas de papel e de crianças histéricas. Encare tudo aquilo com #gratidão. Celebre. Agradeça por todas as metas não alcançadas, pela sua vida sexual precária e pelo fato de você estar tentando encontrar um caminho.
2. Converse sobre amenidades.
Receitas de risoto, trânsito e a seleção de brinquedos usados que todos fizeram para doar para orfanatos. Nesta época do ano, as pessoas se tornam subitamente bondosas e sentem vontade de aliviar suas culpas ajudando os que não tiveram a sorte de conhecer o Mickey.
3. Agora, vá até a varanda fumar um cigarro. Ignore os olhares de reprovação. Você ainda fuma e foda-se.
4. Não se aproxime dos muito animados. Eles oscilam.
Emocionam-se com facilidade e gostam de abraços suados. Alguns choram e gostam de lembrar de coisas do passado.
Torça para que nenhum convidado tenha a simpática idéia de trazer gorros de papai noel para meter na cabeça de todos os participantes.
Prepare-se para encarar vários smartphones. É foto para caralho.
4. Elogie a porra da árvore de Natal norte-americana em um país tropical. Afinal, já nos acostumamos com isso. Crescemos vivendo o Natal deles, comendo tender num calor de 42 graus.
Evite opinar sobre qualquer assunto que possa gerar polêmica.
Ouça pais e mães dizendo que estão tentando se educar para presentear os filhos somente no aniversário e no Natal. ‘Eles precisam dar valor aos presentes’, dizem. ‘Eu me lembro que eu _ quando era criança _ esperava ansiosamente pelo Natal. Não ganhava presentes toda semana!’.
Faça cara de paisagem. Concorde. Porque eles falam como se não fossem eles os responsáveis pelo consumismo desenfreado do mercado “coisas para crianças”. E se você disser “não compre, não entre na onda”, eles dizem que a pressão é muito forte, que os amiguinhos e blá-blá-blá.
5. Beba mais.
Sorria com frequência. Só dê gargalhadas se todos estiverem gargalhando. Comece a reparar nas conversas e faça de conta que está interessado. Tente usar a técnica do ouvir sem estar ouvindo. Basta fixar o olhar nos movimentos da boca e das mãos dos falantes. A técnica exige paciência.
A receita do peru, o tender, Tia Vera, a dona da casa, explicando como fez o chester de natal com farofa tropical!
6. Diga, num tom de voz um pouco mais alto que o dos outros:
_ Tia Vera! Você tem que passar suas receitas pra gente, pelo nosso grupo #family, no WhatsApp.
7. Agora, levante-se e vá andando em direção ao banheiro. É hora de sair à francesa.

Dica:
Se você realmente não quiser confraternizar, invente que você decidiu fazer parte de um grupo que visita asilos em noites de Natal. É uma saída super #fofa

3 comentários sobre “Guia rápido de constrangimentos natalinos”

  1. É a realidade pura e nua. Árvore de natal sempre achei uma pura babaquice de brasileiros que querem estar em países de primeiro mundo, uma ilusão de ótica que não leva a lugar nenhum, pureza em país de escravos. Do resto é latente, que muitos tentam se alegrar com os parentes, eu ainda me emociono com quem traz pequenos presentes, mas, agora nem nisto estão trazendo mais, não possuem riqueza cultura, não possuem criativade, meu Deus trazer nem que for um palito de dente para voce, denota algum tipo de sentimentos, mas, os abraços calorosos acabaram, só se cumpimentam, as pessoas estão sentido os efeitos da escravidão brasileira, nunca acabou, piorou um país entregue a bandidos, o que se poderia esperar o povo vive nas masmorras.

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