tenha modos

O pobre do buldogue francês faz seu pipi no shopping. A dona, meio sem jeito diante da cena, olha pro cachorro e diz:

_ Mamãe já te disse para não fazer isso. Tenha modos!

E larga o xixi, ali.

Juro que tento não perder a razão diante de uma cena dessas. São comuns mas não me convencem. Me causam respulsa. Sinto pena do bicho e nojo do dono, ou melhor, do papai ou da mamãe.

Fico muda e respeito. Afinal, sou minoria. Minha única refém sou eu. Jamais conseguiria encoleirar alguém. Me intriga demais o que passa pela cabeça do homo sapiens que adota ou compra um cachorro e faz dele seu escravo, acreditando – sempre – que o bicho o ama incondicionalmente. Não.

Ele ama o dono por falta de opção. O bicho, muitas vezes, passa o dia dentro de um apartamento, sozinho, esperando o carente chegar. Por razões óbvias, quando o carente chega, ele enlouquece. É uma espécie de síndrome de Estocolmo. Onde o sequestrado se apaixona pelo sequestrador.

O que o dono do animal compra é afeto, carinho e uma relação segura. Afinal, ele _ o cachorro _ não vai te abandonar. Ele sai de coleira. Ele não tem chance de escapar. Já não conseguimos mais nos relacionar com gente. Sendo assim, resolvemos transferir para um animal todas as nossas frustrações e dificuldades em lidar com o mundo. Toda a nossa carência.

E carência é sinônimo de dinheiro.

Segundo cálculos da Associação Brasileira da Indústria de Produtos para Animais de Estimação [Abinpet] o mercado dos pets brasileiro é o terceiro maior do mundo, perdendo apenas para os Estados Unidos e Reino Unido e ganhando de países como França, Japão e até a China, que é o país que possui mais animais de estimação no mundo.

As empresas deste setor estão divididas em 4 grandes segmentos:

  1. O de Pet Food, segmento de alimentação que inclui rações, snacks, bifinhos, biscoitos e petiscos em geral. Ele é o principal responsável pelo crescimento e faturamento do setor, com uma fatia de 67,6% do faturamento.
  2. O segmento de Pet Vet, composto por medicamentos veterinários, é responsável por 8,1% do faturamento.
  3. O segmento do Pet Serv, que inclui serviços de adestramento, comércios, hotéis e até creches para nossos estimados bichinhos. Este segmento é o segundo que mais fatura, sendo responsável por 16,2% do faturamento do setor.
  4. Por fim, o Pet Care, focado em produtos de cuidados para os animais, como equipamentos, acessórios e produtos de higiene e beleza. É o terceiro que mais fatura, representando 8,1% do montante.

Fique ligado!

Segundo o site ABC, a associação protetora de animais Libera, juntamente com a Fundação Franz Weber, começou na Espanha uma campanha para que os cidadãos denunciem casos de cães presos por muitas horas, tanto em residências rurais ou urbanas como em varandas de prédios.

De acordo com a associação, a intenção é dar visibilidade a esta prática de maus-tratos aos animais, que é o aprisionamento de cães por grandes períodos, para começar a erradica-la através de uma campanha de denúncias. Assim, o projeto oferece a possibilidade de qualquer pessoa denunciar casos de cães presos ou amarrados por muito tempo pela internet, no site Sen Cadeas.

A nível legal, manter um cão em condições de encarceramento, sem alimento ou em espaços inadequados para sua sobrevivência, envolve a prática de uma infração leve, punida com até 500 euros de multa, embora possa se tornar uma penalidade grave se o animal precisar de cuidados veterinários ou tenha sido ferido, afirma a ONG Libera.

A associação também lembra que manter animais em condições de cativeiro causa “diferentes problemas físicos e psíquicos” e que eles podem precisar de uma socialização adequada, além de tornarem-se “agressivos”.

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