salva-vidas

Reprimo minhas dúvidas e me incorporo ao cardume. Não consigo mais me imaginar pioneira na tarefa de desvendar minhas velhas verdades. Faço parte de um cardume forte e covarde, onde uns precisam dos outros para reforçar suas meias mentiras e alimentar suas impecáveis rotinas.
No meio dessa massa que se protege com escamas, nado pelas margens, para não correr o risco de me transformar num cupcake sem glútem ou numa bolsa Prada falsificada.
Encontro os que falam pouco, percebem quase tudo e parecem não se importar com quase nada. Com eles, invento amores para tentar fazer a vida mais divertida.
E, quando se desinventa o amor inventado, aquele buraco vazio que eu carrego no estômago volta a me sufocar. Entro em pânico e nado contra a corrente que eu arrasto. Nado como aqueles sujeitos que não sabem nadar e brigam com a água.
Saio do mar cambaleando. Vejo meu prédio do outro lado da rua. Pela janela, Dona Nina fazendo faxina. Se alimenta de uma impecável rotina.
Respiro fundo, chamo o salva-vidas, aproximo minha boca salgada do ouvido dele e digo, bem baixinho: cer-ve-ja!”

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