o aprendiz

 

Sexo gera expectativa e dá frio na barriga. Penso na roupa que vou usar, por mais que eu tente me enganar, estava claro que a minha vontade era impressionar. Fora isso, a espera [sexo com data marcada] foi me deixando cada vez mais excitada e descontrolada. Dentro do avião, minutos antes de chegar, meu coração pulsava na garganta. Quando desembarquei, voltei a respirar. Quando vi aquele gigante no aeroporto, me esperando [ansioso], percebi que a vontade dele era quase maior que a minha. No carro, a coisa já começou a esquentar.

Foram aproximadamente 20 minutos de trânsito. Tempo suficiente para ter aquela sensação boa do antes, aquela em que o corpo parece que não vai aguentar, assim como a vontade de fazer xixi aumenta quando estamos esperando o elevador. Chegamos ao apartamento e corremos para a cama, como um par de adolescentes desesperados.

Por algumas horas, meu corpo dominou a cena. Ele me olhava nos olhos, como se estivesse diante de um mito. Uma mistura de tesão com vontade louca de me desmitificar. O sexo foi intenso, tenso. A química não deixava a gente parar. E quanto mais se gozava, mais se queria gozar. Beijo na boca, arrepio na coxa e uma vontade incrível de sentir ele pulsar. Eu precisava engolir aquele homem. Mas quem me engoliu foi ele.

Depois do sexo, resolvemos conversar. Naquele primeiro encontro, eu não queria falar sobre as minhas inseguranças, medos e incertezas. Eu não queria saber das convicções e das certezas dele. E era justamente lá [aqui dentro] que ele queria chegar. E eu querendo fumar…

Incorporou um psicólogo de botequim com vocabulário requintado. Começou dizendo que não suportava relacionamentos formais entre casais e que não pretendia “namorar”. Terminou dizendo que se eu parasse de fumar seria uma mulher perfeita para casar. Não sei bem aonde ele queria chegar. Lembrei que o cara tinha participado daquele programa do Justus, “O aprendiz”, coisa que eu nunca assisti. Esse tipo de informação, a gente releva antes do sexo e revela depois, de sacanagem, para expor um pouco o DJ de São Paulo. Resolvi ir embora antes daquela “palestra” sem pé nem cabeça terminar. É da minha natureza escapar, zarpar. Coisa de quem foi criada perto do mar.

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