o aprendiz

 

Sexo gera expectativa e dá frio na barriga. Assim como qualquer ser humano do sexo feminino, penso na roupa que vou usar e _ por mais que eu tente me enganar _ estava claro que a minha vontade era impressionar. Fora isso, a espera [sexo com data marcada] foi me deixando cada vez mais excitada e descontrolada. Dentro do avião, minutos antes de chegar, meu coração pulsava na garganta. A expectativa e o medo, ali, ao meu lado, juntinhos. Eu sentada na poltrona 3A, eles, na B e na C.

Quando desembarquei, voltei a respirar. Quando vi aquele gigante no aeroporto, me esperando [ansioso], percebi que a vontade dele era quase maior que a minha. No carro, a coisa já começou a esquentar.

Foram aproximadamente 20 minutos de trânsito. Tempo suficiente para ter aquela sensação boa do antes, aquela em que o corpo parece que não vai aguentar. Chegamos ao apartamento e corremos para a cama, como um par de adolescentes desesperados.

Por algumas horas, meu corpo dominou a cena. Ele me olhava nos olhos, como se estivesse diante de um mito. Uma mistura de tesão com vontade louca de me desmitificar. Na época, eu escrevia para a Playboy. Aquilo era um perigo. O sexo foi intenso, tenso. A química não deixava a gente parar. E quanto mais se gozava, mais se queria gozar. Beijo na boca, arrepio na coxa.

Depois do sexo, resolvemos conversar. Naquele primeiro encontro, eu não queria falar sobre as minhas inseguranças, medos e incertezas. Eu não queria saber das convicções e das certezas dele. E era justamente lá [aqui dentro] que ele queria chegar. E eu querendo fumar…

O cara estudou em Harvard. E quem estudou em Harvard precisa dizer que estudou em Harvard. Até aí, tudo bem. Eu estava tão interessada em conversar que não perguntei nada. Ele incorporou um psicólogo de botequim com vocabulário requintado. Começou dizendo que não suportava relacionamentos formais entre casais e que não pretendia “namorar”. Terminou dizendo que se eu parasse de fumar, eu seria uma mulher perfeita para casar. Depois, me perguntou porque eu usava roupas largas. _ Como? _ Você tem algum problema em exibir suas formas? _ Não, nenhum. Eu não gosto de roupas apertadas. _ Isso é estranho. Mulheres que têm um corpo como o seu costumam abusar disso. _ Olha, me deixa em paz. Eu vou até a varanda fumar um cigarro e depois a gente sai. Deixa de ser chato, cara. Você acabou de me conhecer. _ Você precisa entender que eu estou desvendando uma fantasia. _ Não, eu não preciso entender porra nenhuma. _ Se você acredita em tudo que eu escrevo, o problema é seu. _ Desculpe-me. Você tem razão. Aliás, você deve ser uma pessoa difícil. _ Deus! Eu só quero fumar um cigarro.

Não sei bem aonde ele queria chegar. De repente, o cara me diz que tinha participado daquele programa do Justus, “O aprendiz”, coisa que eu nunca assisti. Pensei: Ca-ra-lho! Isso só acontece comigo!

Minha primeira experiência com um plus size não poderia ser simples. Tinha que ser recheada. E eu querendo fumar e o cara me proibindo. Queria que eu montasse numa moto para ir comer um galeto num restaurante franquiado. Esqueci o nome. Tem um em cada bairro. Ah! Eu estava em São Paulo.

Esse tipo de informação, a gente releva antes do sexo e revela depois, de sacanagem, para expor um pouco o atual DJ de São Paulo. Resolvi ir embora antes daquela “palestra” sem pé nem cabeça terminar. É da minha natureza escapar. Coisa de quem foi criada no mar.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *