carpe diem

Houve um tempo em que ter uma tatuagem era sinal de rebeldia ou irreverência. Os tatuados, aos poucos, quebraram preconceitos até que, hoje em dia, é difícil conhecer alguém que não tenha pelo menos uma pintura corporal. A popularização das tatuagens acabou diluindo o impacto que ela um dia teve na sociedade. Transformou-se em um hábito popular.

Angelina Jolie, por exemplo, hoje completamente convertida, sem tatuagem alguma, foi uma das primeiras a tatuar o nome do ex-marido, Billy Bob Thornton, no braço. Bastou! Com o tempo, enfeitiçado, o povo – que quer imitar os astros desde que o mundo é mundo – entrou na onda de pintar o nome do ‘mozinho’ em alguma parte do corpo.

O que não falta nas praias do Rio são tatuagens como Carpe Diem [mais cafona impossível] e o símbolo do infinito [mais cafona impossível II]. Como toda moda que se espalha, existem sim as raras e lindas tatuagens. São poucas. Como qualquer outro adereço, não é porque ficou bonito na Gisele Bundchen que vai ficar bonito em você.

Eu não tenho tatuagem porque não gosto de nada que seja pra sempre. Porém, se eu fosse obrigada a me tatuar, certamente escreveria ‘perdi a cabeça’, na nuca, ou algo que não fizesse o menor sentido, tipo ‘global warming’.

Aos poucos, o mundo inteiro incorporou as tatuagens. Surgiram as hippies, símbolos japoneses [mostra a tatuagem e explica o significado], símbolos místicos de proteção, signos do zodíaco, emblemas do time de futebol, borbotelas, golfinhos, frases de Fernando Pessoa, nomes de bandas e de personagens como o Mickey. Isso, sem contar com Jesus Cristo, líder absoluto.

Em um salão de beleza, uma manicure diz para outra: “Eu vou ‘bem’ tatuar o nome do Everton nas minhas costas”. A colega responde: “Faz isso não, Jéssica. Tu não sabe se isso vai durar. Depois tu vai acabar se arrependendo”. Orgulhosa de sua tatuagem, a colega de Jéssica arregaça a camiseta e  mostra seu “Cauê, amor eterno” desenhado no ombro e coberto de estrelinhas. Cauê é o nome do filho, óbvio. E não para por aí. Depois, ela vira de costas e na altura da lombar mostra uma tribal que ela e 90% da população feminina carioca provavelmente considera sensual.

A onda das tatuagens com nomes de filhos é crescente e atinge todas as classes sociais. Tem Tainara e tem Bia. Acho deselegante e tenho esse direito. Penso em Coco Chanel. Se estivesse viva certamente dispensaria modelos tatuadas. Quando não tatuam o nome inteiro, tatuam as iniciais das crianças. Frases de autoajuda e trechos de letras de música também fazem muito sucesso.

Kate Middleton, por exemplo, não tem nenhuma tatuagem [suponho]. Acredito que enquanto Beth estiver viva, ela não ouse cometer tal atrocidade.

Bom, pior que o nome do filho, é tatuar o rosto do bebê. Aí, fica impossível disfarçar. E, com um sorriso de merda estampado no rosto, dizer: ‘Que bacana’.

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