Crescei e multiplicai-vos

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O filho – fruto de um culto insano da necessidade do homem de se autoperpetuar tem significados assustadores. O homem, por razões medievais. Macho alfa e coisa e tal. Reprodutor. A mulher, por uma espécie de desvio cultural, principalmente as menos questionadoras, acredita que a maternidade prova que elas são fêmeas que ‘prestam’.

A cria é uma espécie de troféu ou atestado de utilidade. Mulheres que imaginam que se tornam divindades por serem mães e acreditam que este seja o único caminho para a elevação, o contato com o amor divino.

A segunda etapa [a divulgação] parece ser mais importante que a primeira. Hoje em dia, se alguém disser para uma mulher que  ela só poderá fotografar seu bebê depois de sair da Perinatal ou depois que o bebê fizer um ano, ela é capaz de desistir da idéia de parir ou considerar o nascimento de seu filho um fiasco ou um revés.

O feito precisa ser visto e documentado. Ele é símbolo de uma conquista, mesmo que imposta. Ele é o fruto do sucesso, do amor divino, do casal que se ama tanto, mas tanto, que precisa fazer viver [eles chamam de eternizar] um ‘pedacinho’ deles. E, como nada é mais confortante do que resolver o problema do outro ao invés do seu, eles – os bebês –  chegam para preencher esse vazio, essa lacuna chamada discernimento.

Quando ouço uma mãe dizer: ‘Depois que tive filhos não tenho tempo nem para respirar’, a seguinte legenda me vem à cabeça: ‘Agora, não tenho mais tempo para pensar em mim. Abandonei meus problemas, meus projetos que não dariam certo e vou despejar meus sonhos e frustrações nesse refém que exibo como meu grande feito’. Confesso que em alguns casos também penso no bebê como garantia, inclusive de renda.

Eu, que nunca quis ser mãe, e escrevi sobre o assunto com 34 anos, para a revista tpm, já ouvi coisas terríveis da boca desse bando de parideiras inconsequentes. Até ‘você não gosta de crianças?’ já tive que levar para casa, calada. Procriar é uma imposição medíocre da sociedade, ao menos em países em involução, como o Brasil.

Por pior [e ainda mais medíocre] que pareça, acho o tal golpe da barriga explícito, louvável. Admiro muito a Luciana Gimenez por ter feito um filho com o Mick Jagger. Ela sim merece aplausos. Gol de placa, em todos os sentidos. Gerou um ícone e não um troféu[zinho] qualquer. E, mesmo assim, é chamada de burra.

O mais interessante ou intrigante é que a maioria não parece ter consciência de estar praticando um dos esportes mais radicais do mundo. E, sem consciência, fica tudo mais tranquilo. Aliás, fica tudo divino, maravilhoso, lembrando que até debaixo d’água era mais gostoso. E, se a criança tiver problemas, ainda assim, é presente de Deus. Não é por acaso, é carma, é aprendizado. Até benção eles viram.

post scriptum:

Tenho dois sobrinhos lindos. Que bom que existem mulheres que não pensam como eu! Já não sei mais viver sem aquelas duas pessoinhas que me chamam de tia.

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