green people

Greenpeople detox de um dia.

Esse é o folheto que a marca distribui para propagar o bem-estar.
São oito sucos para se tomar durante o detox day. Suco de palmeira juçara da Mata Atlântica? Palhaçada. “Moça, você entregou o folheto para a pessoa errada”, disse Elana, minha amiga, bailarina, que também não curte passear em feiras orgânicas.

Todos os bem intencionados sucos combatem prisão de ventre, inibem o crescimento de células gordurosas e eliminam calorias. Ou seja, tudo gira em torno de perder peso. Fora isso, acho absurdo o que o mundo vem incutindo na cabeça das pessoas. Tudo é sujo, tudo é tóxico, tudo causa câncer. Somos nós que estamos podres. Acordem!

Pessoas chatas para caralho passam horas te dizendo o que causa o que. Pesquisas feitas em Hollywood comandam o circo, o que é a parte mais divertida da festa. Hoje, o ovo é puro colesterol e mata. Amanhã, é proteína.  Comer, agora, é ato pensado, calculado.

Por trás disso, eles – os sucos milagrosos – também são rotulados como estabilizadores de humor e outras loucuras, incluindo retardo de envelhecimento, efeito calmante e antidepressivo.

O suco Penélope, por exemplo, é capaz de minimizar a vontade que as pessoas sentem de consumir doces no final do dia. O D-Tox – primeiro da lista – é o xenical natural. “Se tem uma coisa que gordo gosta de fazer é cocô. Impressionante, né?”, diz Elana com um sorriso sarcástico. E eu respondo, rindo: “Todos têm o metabolismo lento, problemas hormonais e precisam comer de três em três horas”.

Os sucos desintoxicam todo o seu corpo em 24 horas. Um verdadeiro milagre.

Greenpeople consumidores vão te olhar com cara de desprezo se você disser que prefere tomar uma coca-cola, coisas que eles cortaram da dieta há tempos. ‘É açucar puro. Causa câncer até na unha’.

Eu não leio bula de remédio nem rótulos. Tudo o que eu consumo – incluindo gente – está catalogado de acordo com o nível de prazer que aquilo me proporciona. Se dá prazer, vale. Caso contrário, evito.

O público – pessoas que sofrem de um transtorno chamado tudo que é novo eu compro, entra na onda. Se a Beyoncé toma, eu vou tomar também.

Eu vou da proteína de soja do restaurante orgânico à picanha mal passada de uma churrascaria, em fração de segundos. Sou uma consumidora livre. Tomo suco de fruta desde que me conheço por gente. Suco sem discurso, sem nome e sem adoçante.  Minha mãe sempre foi consumidora de linhaça e seguidora dessas modas em geral.

Não me meto na alimentação de ninguém e tenho vontade de distribuir tapas quando alguém me olha torto se eu estiver com um saco de batatas fritas nas mãos, me lambuzando de gorduras e conservantes.

Para mim, o que mais importa é a companhia. Gosto de estar com gente que transforma o momento no prato principal.

5 comentários sobre “green people”

  1. Tambem concordo com voce!!! Para mim, que fiz bariatrica entao, eh o suplicio de uma saudade! Todos viram vigilantes da minha mesa. Ainda bem que nao moro perto de algumas pessoas chatas, que ficam me regulando…
    Beijos!!!

  2. Impecável o texto
    Lucidez nas idéias
    Poesia na receita vira seita
    Nada como o livre arbítrio inclusive, na hora de comer
    E o público sofre de um transtorno alimentar, parente da anorexia e bulimia, q já está catalogado, mas não sei o nome

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