fumo foda-se

Eu fumo Foda-se, da Philip Morris.
Eu fumo e sei que fumar faz mal. Fumo longe dos outros – dos fumantes passivos. Respeito as leis. Peço desculpas por ser ignorante e continuar escrava de um vício que causa câncer e mata.

Eu não roubo cigarros. Eu compro. O câncer é meu. Não é seu.
Do lado de fora de um hotel – em São Paulo – estava eu, tentando encontrar, na minha puta bolsa, meu cigarro e o isqueiro.
Porque nada é mais gostoso que fumar um cigarro depois de seis horas trancada numa sala de reuniões onde as pessoas repetem a mesma coisa 12 vezes – no mínimo – e não percebem que estão fazendo isso.
Achei meu cigarro, meu isqueiro. Acendi o cigarro. O primeiro trago é um grande prazer. Estava fumando – sozinha – meu Marlboro vermelho, cowboy assassino.
Um senhor, passeando com um cachorro, resolve começar a conversar comigo. Sem perguntar se eu estava ou não disposta a bater papo, o que é uma tremenda falta de educação, puxou o discurso do ex-fumante do bolso. São piores que Testemunhas de Jeová.
Eu consegui desligar meus ouvidos. É uma técnica incrível. Olhava para ele e só observava os movimentos dos lábios, o bigode, as expressões do rosto, o movimento das mãos enrugadas, o cão, um schnauzer bem bonitinho, a coleira.

E segui fumando, como se ele não estivesse ali ou como se ele fosse uma obra de arte viva que alguém fez a gentileza de colocar na minha frente.

Experimentem fazer isso. É sensacional. É como se a pessoa estivesse falando uma língua que você desconhece, o que é uma benção.
Bom, quando ele parou de falar e fez uma cara de “estou esperando uma resposta sua resposta”, eu disse:
_ Desculpe-me. Não entendi.
E ele – meio puto – respondeu:
_ Tenho duas filhas e nenhuma delas fuma, graças a Deus. Você tem pai?
_ Sim, tenho pai. Se ele estivesse aqui, já teria mandado o senhor à merda, sem o menor respeito.

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