Iansã

Dona Cida era amiga de uma mulher que eu havia acabado de conhecer. A mulher era o tipo da pessoa que te conhece às 10 e, às 10 e quinze, já está te chamando de amiga. Pinta de vendedora de jóia que não é jóia, aquele papo de semijoia.

Não parava de me mostrar fotografias dela, super produzida, e insistia em dizer que as pessoas a achavam parecida com a Juliana Paes. Se dizia melhor amiga da Rede Globo inteira. Enfim, era uma tremenda picareta.

Porém, Dona Cida não seguia a mesma linha. Óbvio. Juliana Paes de Deodoro era a vendedora. Dona Cida fazia a linha humilde. Inclusive, não cobrava para abrir as cartas. Juliana Paes, longe de Dona Cida, passava a sacolinha, dizendo que a cartomante levava uma vida dura e etc.

Senta aqui, querida!
Vou ‘abrir as cartas’ para você!
Reticente [ e sem graça pra cacete ], sentei.
_ Corta com a mão esquerda!
_ Como?
_ Corta o monte com a mão esquerda.
_ Cortei.
Ela espalhou as cartas e pediu para que eu escolhesse seis.
Escolhi.
_ Olha! Você é filha de Iansã e protegida por São Jorge! Ninguém te derruba, não, viu? Pode ficar tranquila!
_ Sei! [Pensei: São Jorge, o senhor pode chamar reforço ou já usou todas as suas armas?]
_ Iansã segue ao seu lado. Você, quando quer, é uma brisa. Agora, precisa tomar cuidado com essa facilidade em causar tempestades. As pessoas não gostam de ouvir verdades, moça!
_ Sei! [Iansã, permaneça calma. Eu e São Jorge estamos exaustos]
_ Olha, tem um senhor ‘que assina papéis’ que vai te fazer uma boa proposta. Coisa de trabalho. Tem gente querendo te fazer mal. Mas, não esquenta, não. É gente pequena! [morro de medo de gente pequena]
_ Sei! [senhor que assina papéis é ótimo!]
_ O amor da sua vida você já conhece! Ele é clarinho, assim, feito minha neta [mostrou a foto da neta]
_ É mesmo? E por onde ele anda?
_ ……………………………………….

 

 

 

 

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