gaia

Encontrei uma cadela perdida, sem coleira mas com toda pinta e comportamento de cachorro criado em quintal de casa ou varanda de apartamento. Era uma cadela, labrador preto, filhote.
Fui pedir ajuda para uma outra cadela, dona de um salão de beleza de terceira e de um cão de pequeno porte [um poodle sem porte].
Eu só queria uma coleira ou algo parecido que me desse a chance de segurar a cadela para que ela não fosse atropelada.
A dona do salão – em Itaipava – me expulsou do local, dizendo que o salão só liberava a entrada de cães de pequeno porte. Tentei explicar o que estava acontecendo. A loura fez de conta que não entendeu.
Quem me ajudou a improvisar uma coleira foram dois homens que trabalhavam numa loja de materiais de construção e já estavam fechando a loja. Com cabos, eles improvisaram uma coleira, coisa que eu jamais teria conseguido fazer sem a ajuda deles.
Pronto, a cadela estava segura e eu poderia usar a porra do meu telefone para saber o que fazer para encontrar os donos o mais rápido possível.
Fiquei sentada ao lado dela, na chuva, em frente ao mercadinho de Itaipava. Levei inúmeras lambidas no rosto. Segundo o moço da loja de materiais de construção, estava perdida mas estava feliz. Eu olhava para ela e dizia: _ Calma, eu não vou te deixar sozinha! Quem estava nervosa era eu. Ela estava pra lá de calma.
Não tenho cachorros mas tenho bom senso. Tudo que eu pude fazer foi comprar água, ração, contar com a boa vontade das pessoas do mercadinho e esperar que as coisas acontecessem.

E, as coisas aconteceram. Um sujeito apareceu no mercado e, ao me ver sentada no chão com ‘la pobrecita’ disse que num tal condomínio próximo havia uma mulher a procura de seu labrador afrodescendente! Prontificou-se a ir até o local para avisar a mulher que sua refém estava viva e, em boas mãos.
Depois de um tempo, surge a ‘mamãe’.
O bebê não fez muita festa e, segundo a mamãe, Gaia [ o nome da cadela ] costumava escapar sempre. ‘É muito levada!’.

Gaia, sinto por você.
Obrigada por mudar o meu dia e por reforçar algumas das minhas poucas certezas.
Dona do salão de beleza, espero que seu cão de pequeno porte seja atropelado em frente ao seu salão.

_ Silvia Pilz, não diga uma coisa dessas!
_ Digo. Não sou a que diz o que todo mundo pensa?

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