suiça carioca

Dizem que ser carioca é um estado de espírito. Eu acredito que todo carioca se considera uma espécie de celebridade. Eles estão sempre muito preocupados com suas respectivas imagens e com um público imaginário. Sem dúvida alguma, muitos se sentem dirigidos por Manoel Carlos ou Daniel Filho. O Rio não deixa de ser uma cidade cenográfica. E, para fazer parte do elenco dos engajados, você precisa:

– Gostar de música popular brasileira

– Aplaudir e fotografar o pôr do sol no Arpex

– Envolver-se em causas indígenas e projetos destinados a minorias oprimidas

– Falar sobre um mundo #sustentável e fazer bebês novinhos [discurso contraditório. por que não incentivar o reaproveitamento de bebês que já estão por aqui?

– Não ser racista ou preconceituoso mas sofrer calado se seu filho aparecer em casa dizendo que está apaixonado por uma Suelen

– Declarar-se espiritualizado, fazer ioga, meditar, comer orgânicos e etc.

– Dizer que você gosta muito de teatro, mesmo que prefira The Voice

– Ser a favor da legalização da maconha por sentir-se muito mal em estar colaborando com o tráfico quando compra seu baseado do favelado, aquele que você não quer ver nem de longe, na praia, aos domingos

– Fazer de conta que o sumiço do Amarildo mudou a sua vida. Aliás, Amarildo já foi completamente esquecido

– Achar pitoresco ser maltratado pelos garçons dos bares mais tradicionais da cidade, em especial o Bar Lagoa

– Ignorar solenemente o morador de rua que dorme num papelão na esquina da sua casa: “Pago um IPTU altíssimo e ainda tenho que aturar isso”

– Não poder, em nenhuma hipótese, odiar exercícios físicos e dias ensolarados

– Achar que, ao convidar o filho da empregada para a festa de aniversário do seu filho, você está cumprindo o seu papel no quesito #inclusãosocial

– Ficar constrangido quando um pobre te pede dinheiro no sinal e_ imediatamente_ defender a linha do “não me entendam mal, mas não posso compactuar com isso!”

– Cumprir o papel do carioca que conversa na praia, mas jamais convida alguém para ir até sua casa [o contrário dos paulistas, que falam menos e convidam mais].

– Ter uma par de amigos gays intelectualizados.

– Ter loucura por atores da Rede Globo.

– Ter uma cadela com o nome de Aracy

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