síndrome de estocolmo

Somos cúmplices de inúmeros espetáculos de violência animal e já nos acostumamos com isso. Cães confinados em apartamentos também são condicionados, castigados, adestrados e obrigados a fazer palhaçadas que não fariam se estivessem em campo livre.

O cão já é considerado um escravo doméstico, que abana o rabo e alegra o fim do dia de seus proprietários. Essa bizarria já se tornou normal.

O bicho é como filho da casa e tem direito a quase tudo, desde que não vire gente. Desde que não fale. Acredito que isso aconteça porque os bichos são mais facilmente adestrados, educados num regime de troca e condicionamento. A submissão do animal conforta seu dono. Todo e qualquer sentimento de liberdade está atrelado ao dono, que é o chefe da cadeia e enxerga a escravidão do cachorro como fidelidade absoluta.

Teu cachorro te ama incondicionalmente porque ele não tem outra opção.

As relações humanas se tornaram competitivas, assustadoras e cheias de ciladas. O homem ficou amedrontado e resolveu estabelecer vínculos de afeto com animais não ambiciosos, que se satisfazem com aquilo que lhes é apresentado. Hoje, os cães são vítimas da síndrome de estocolmo, estado psicológico onde a vítima encarcerada desenvolve afeto pelo carcereiro. Se você tem um cão, você busca uma relação segura, consistente, sem surpresas desagradáveis. Na verdade, você anula o cachorro e faz dele uma extensão sua, um rabo que te abana sempre. Ficou mais fácil tratar bichos como pessoas e pessoas como bichos.

Antes que alguém me diga que seu cachorro é mais bem tratado que muita gente, aviso: nenhuma ração, banho ou tosa paga o preço da liberdade. Os cães, infelizmente, assim como os animais de circo, vivem na condicional e não têm para onde correr.

Recentemente, um cão de caça, de uma amiga, criado em casa, muito educado e bilingue , lembrou-se de seus instintos primitivos e comeu seu coleguinha, uma calopsita, de asas cortadas, que por razões óbvias [amputada] não teve como tentar voar para sobreviver.

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