Marie Antoinette de Quintino

Ao contrário de outras tradições, como a americana e a européia, em que a riqueza é vista como sinal de competência e dedicação, qualidades fundamentais para o desenvolvimento da nação e da própria família, no Brasil, a riqueza é vista como a responsável por todos os nossos males.

As pessoas sentem vergonha e culpa por terem dinheiro. A desigualdade social gera um certo desconforto. Os ricos de berço pouco se importam. Fazem caridades “Michael Schumacher”. A nova classe media é que fica com um pé lá e outro cá.
Compram roupas caríssimas e jogam as etiquetas no lixo, para que a empregada não saiba o valor das roupas. 

_ Silvia, eu gastei em uma blusa metade do salário que pago para Lidiane!, diz Rosana.

Aceito mas não entendo ou entendo mas não aceito. É subestimar demais a inteligência da “funcionária”.

_ Rosana, seus filhos estudam em escola particular, você tem um carro que parece uma balsa, seu marido tem outro. Enfim, você acha que Lidiane, sua empregada [secretária, perdão] só percebe que o que ela ganha não é muito no momento em que você chega em casa com novas roupas e sapatos?

_ Não é isso, Silvia! É que eu acho uma falta de respeito mostrar o quanto eu sou capaz de pagar por uma blusa! Sinto vergonha de gastar muito com o que não é importante, compreendeu?

_ Não, não compreendi. Aliás, compreendi. Você age como se já tivesse sido pobre. Como se seu dinheiro viesse de um trabalho árduo. Isso é culpa católica. Converse com Lidiane. Posso apostar que ela vai te dizer o seguinte:

_ Patroa, a senhora tem o direito de gastar seu dinheiro como quiser e dividir tudo em 12 vezes sem juros. Aproveite. Se eu fosse a senhora, teria um #look para cada dia!

_ Você acha?

_ Tenho certeza! Livre-se dessa culpa. Você sempre foi assim. Seus sapatos sempre preencheram seus vazios, minha pequena Marie Antoinette de Quintino! [ risos ]. Considere-se uma acumuladora. Ser consumista compulsiva está em voga e tem tratamento disponível no universo psiquiátrico.

Lidiane vive dentro da realidade dela. Para ela, o mundo é uma novela. Uma TV de 120 polegadas, um crediário na Renner, churrasco no fim de semana.

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