The Truman Show

De repente, todos parecem ter encontrado alguma forma de ser feliz e – não contentes – precisam vender a fórmula da felicidade ao próximo. De repente, todos aprenderam a meditar [ seja com Kleber ou usando um aplicativo ], a entrar em conexão com a natureza e a cuidar mais da alma do que do corpo, desde que possam continuar fazendo dietas insanas, é claro.

A paz de espírito do GNT voa longe se o sujeito ganhar dois quilos.

Cristais, florais, passe em centro espírita e tudo que é tipo de proteção. Por algum motivo, todos têm a certeza de que causam inveja nos outros e de que precisam de proteção. Quem é você para ser alvo de inveja? Quais são os parâmetros dessa palhaçada?

Enfim, todos os robôs estão dando pau. Ninguém mais vai dar uma corrida na praia ou uma caminhada despretensiosa. As pessoas vão treinar e saem de casa sabendo exatamente quantos quilômetros vão percorrer.

Tudo tem um propósito. Uma meta. As pessoas já sabem o que vão fazer em 2026.

Nada acontece naturalmente. Os vendedores de felicidade têm um cronograma que os ajuda nas tarefas da salvação. Agora é hora disso ou daquilo.

E – de repente – não mais que de repente, conseguiram tornar as coisas previsivelmente chatas.

Transformaram diversão em tarefa. Excluíram o inesperado do roteiro. Ninguém muda seu trajeto para tocar a campainha na casa de alguém com quem conversa quase todos os dias pela porra do WhatsApp.

De repente, não mais que de repente, a vida virou uma gincana sem graça e sem surpresas. Uma sequência de tropeços programados.

E as pessoas insistem em dizer que não têm tempo para nada. O tempo está aí. Nós é que fazemos de tudo para matá-lo.

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