tupi-ascendente

“Eu não vim até Paris para encontrar com brasileiros!”. Entendo que, ao viajar, além das compras, o infeliz queira ter contato com outros povos e sentir-se livre do fardo de pertencer ao terceiro mundo. Só não entendo por que se detestam tanto.
“Brasileiro é mal-educado, brasileiro fala alto, brasileiro fura fila”, gritam eles, como se não fossem brasileiros. É o inverso do patriotismo. É uma prepotência vergonhosa.

Encerrado este assunto, partimos para o roteiro e seus detalhes sensacionais. Se a viagem for em grupo, vai ter sempre uma desgraçada que, no momento em que estiver sendo definido o pacote, vai se colocar: “Gente, o hotel é o de menos. É só para tomar banho e dormir. A gente vai ‘bater perna’ o dia inteiro! Podemos nos hospedar num hotel barato!”. E todos concordam porque todos querem economizar no conforto para poder comprar mais e mais.

Normalmente, saem do hotel cedo, depois de forrar o estômago com o café da manhã incluído na diária. Usam roupas confortáveis. Calça legging ou jeans, tênis e camisa de malha. Ou seja, são autênticos. Seja na Disney ou em Paris, eles estão trajados de brasileiros, tribo que eles detestam. À noite, tudo muda. As tupi-ascendentes se fantasiam para sair para jantar. Se estiverem em Paris, por exemplo, usam botas, boinas, cachecol, “maquilagem” e perfume. Um sucesso!

É uma cansativa maratona que eles adoram. As bolhas nos pés e o cansaço consequente do número de sacolas carregadas é motivo de prazer. Além das próprias compras, o brasileiro leva listas com itens encomendados pelos amigos e família.

E, cada vez que se deparam com um monumento histórico que conste na lista dos “must visit”, cada um quer sua própria foto. Inicia-se então uma espécie de revezamento de câmeras [smartphones]. O grupo permanece na pose, e elege alguém que vai ter que se virar para fazer a mesma foto dez vezes, com o smartphone de cada membro do grupo. Ninguém quer saber de nada. A história do monumento é o de menos.

#partiu loja da Louis Vuitton, gente! #partiu Outlet

Com a crise, #partiu Buenos Aires!

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