mil novecentos e hoje em dia

José Messias tornou-se um português rico, dono de uma rede de lojas de material de construção. Seu filho, Antonio, trabalhava com ele, supervisionando as lojas da zona norte do Rio.

Garimpou bem e achou a esposa perfeita. Raquel é o tipo de mulher que não precisa de muito para ser feliz. Basta um apartamento na Barra, com piso de porcelanato, um carro do ano, uma assinatura da revista Caras, um maltês com o nome de Anitta e um cartão de crédito para comprar sapatos e bolsas de marca e passar tardes em salões de beleza, tentando parecer tudo que ela não é: uma mulher elegante.

Antonio tem um filho bastardo.
O bastardo nasceu enquanto Raquel e Antonio eram noivos. Chama-se Jeová e foi devidamente acolhido pela família. Vive com a mãe, em Caxias, e passa o fim de semana na casa do pai, na Barra. Jeová foi fruto de uma paixão proibida entre Antonio e uma das funcionárias da filial de Caxias.
Fora Jeová, Antonio tem mais dois filhos, frutos do casamento com Raquel: Antonio Neto e Maria Antonia. Os dois já estão estudando para o vestibular. José Messias, o avô, vai pagar a faculdade dos dois netos. Jeová já começou a trabalhar numa das lojas de material de construção da família. Porém, não vai fazer faculdade nem viajar com os “oficiais” para a Disney.

Antonio faz parte de uma espécie promíscua e tradicionalista. Casado com uma mulher que nem ousa pensar em tomar um chope com as amigas. Antonio é ciumento, como todo filho de uma boa puta.
Raquel fica em casa, assiste novelas, adora The Voice e frequenta uma academia.

Calça jeans bem justa, blusa decotada, acessórios pra todo lado, salto alto, perfume importado e óculos escuros Prada ou Dolce and Gabbana. Juntos, uma vez por semana, o casal sai pra jantar. Raquel adora sair da dieta e comer a cebola do OutBack. “Vou tomar dois chopinhos, no máximo, tá amor?!”, diz a princesa. Ele balança a cabeça e diz: “Quando tu tá comigo, tu pode tudo mulé!”

Durante os happy hours que o macho frequenta diariamente, a programação é randômica. Às vezes, toma um viagra e chega em casa cedo, para ganhar pontos com a patroa, que fez aquele jantar inspirada nas receitas da sogra. Às vezes, decide tomar 25 chopes e discutir futebol e política com seus semelhantes. E, às vezes, resolve comer putas e afins. Corpinho de princesa fica em casa, esperando, enquanto Antonio come qualquer coisa que se mova.

Brasileiro macho faz de conta que não é homofóbico mas morre de medo de duas coisas:
1 – ter um filho gay
2 – sentir-se atraído por um depois de umas cervejinhas

São provedores, trabalham muito e, aos domingos, não deixam de estar com a família, em hipótese alguma.

São todos hipocritamente corretos.
Aos filhos, o discurso é “faça o que eu mando mas não faça o que faço”.
Falam alto, palitam os dentes e, quando já alterados, abraçam as esposas e dizem:
_ Te falta alguma coisa, mulé?
E a bonita diz, sorrindo:
_ Não, amor! Você dá tudo em casa.

Ah! Raquel tem um caso com Leila, a personal da academia.

4 comentários sobre “mil novecentos e hoje em dia”

  1. Credo , está aí a explicação dessa nossa gente, sendo bem preconceituoso, só podia dar nisso sendo todos nós com um pézinho ( ou dois ) em Portugal.
    Até a roubalheira no Brasil tem origem portuguesa, afinal tudo começou com um cara de sobrenome “ Cabral “ tinha que terminar em lava jato. Malditos Holandeses e Franceses que não conseguiram expulsar essa ralé que veio de Portugal pra cá … me imagino com sobrenome Heindfeguer … a vida seria outra … o país também !!!

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