dagmar

De um lado, o filho, Pedro, que tem 13 anos, toca guitarra e pensa que é um artista. Do outro, os sacos de ração para os cachorros da casa de campo. No banco de trás, as compras para o final de semana. Os vinhos, os bries, os damascos, aquela lista previsível. No banco do carona, Jason, o enteado, 23 anos, insatisfeito.
Aflita, ela se lembra que esqueceu de pintar as raízes e pensa:
_ Bom, foda-se. Faço um coque. Sou bonita. Sou bem resolvida. Sou madura. Faço pilates. Sei lidar com meus fios brancos.
Trepo, finjo que gozo. Sou um sucesso. Sou tão feliz quanto a Fátima Bernardes, que se diverte e dança, naquele programa tragicômico.
Louca, ela grita:
_ Jason, venha cá!
_ O que foi tia?
_ Não sou sua tia. Sou sua madrasta!
_ Jason, você já teve a oportunidade de conversar com Dagmar?
_ O caseiro?
_ Sim, ele mesmo!
_ Não, nunca conversamos.
_ Ouça sua madrasta!
Seu pai e os amigos dele…. Sempre o mesmo papo. Sempre o mesmo ritual chatinho. Fuja daqui. Liberte-se e vá se divertir com Dagmar. Ele tem excelentes baseados. Já sentei na garupa daquela bicicleta várias vezes. Ele se diz astrólogo, lê cartas de tarot, conta histórias incríveis. Dagmar tem um IPod e é fascinado por músicas clássicas. Hoje, o que vai rolar aqui, não tem graça alguma. Velhos bêbados, #foratemer. Converse com Dagmar e peça para ela te levar para passear. Daquela bicicleta, meu anjo, eu já vi o mundo inteiro rodar. Não tenha medo.
_ Meu pai sabe disso?
_ Do que?
_ Que você passeia de bicicleta com o caseiro e ainda fuma maconha?
_ Não. Assim como eu não sei que ele já comeu a sobrinha do Dagmar. Entendeu?

3 comentários sobre “dagmar”

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