dose dupla

Festa de casamento em Portugal, num vilarejo distante de Lisboa. Muitos convidados. Fui porque era [e ainda sou] amiga da noiva. O noivo tinha primos, muitos primos, irmãos e amigos. Enfim, uma quantidade razoável e tentadora de convidados do sexo masculino. Todos livres e desimpedidos. Para tentar manter um comportamento exemplar, me mantive quietinha, conversando com senhoras e bebendo moderadamente. O garçom, porém, definitivamente foi com a minha cara, e não deixava de completar meu cálice de vinho, a cada dez minutos. O casamento foi lindo e a festa também. Já no fim da noite, um dos convidados, um piloto, me perguntou se eu estava hospedada no mesmo hotel que ele. A resposta era óbvia. Só havia um hotel naquele vilarejo. Eu disse que estava hospedada no Sheraton. Ele não entendeu a piada. Enfim, ele me ofereceu uma carona e me disse que ele e os primos, amigos e irmãos do noivo continuariam a festa, lá, no hotel. Entramos no carro, paramos no meio do caminho para comprar mais vinho e fomos todos para aquele lugar cheio de quartos e camas tentadoras e impessoais. Eu não era a única mulher. Mas era a única brasileira. Escolhemos um dos quartos para começar a parte boa da festa [ça commence par la fin].

A maioria já sem sapatos, sem gravatas e com aquela cara de homem quando está em busca de caça. Tentador demais para quem já estava com o vestido pedindo para sair do corpo e a maquiagem borrada. 

Bom, acabei na cama do piloto. Performance de um amante, sem pressa. Poucas vezes fui despida de modo tão gentil. Aquele cara me comeu como se eu fosse um sonho. Era sexo de cinema francês. De repente, um outro convidado entra no quarto, com cara de “me enganei de porta” e olhos de “daqui não saio”. Era mais jovem, mais tímido, mais tudo. Tinha um escorpião tatuado no braço. 

Sem graça, disse que buscava um isqueiro. Pela primeira e única vez na vida, fiz sexo com dois homens, ao mesmo tempo. O segundo era tão gentil quanto o primeiro e a coisa aconteceu naturalmente. Eu, que pensei que fosse me assustar ou ter uma crise de moralismo barato, perdi o chão. E, por mais estranho que possa parecer, já que nos filmes pornográficos, normalmente, homens parecem cavalos trepando numa égua, a coisa rolou de um jeito delicado. Sem pressa e sem censura. Vira para esquerda, vira para direita. Que habilidade aqueles homens tiveram com aquelas quatro mãos e com aquelas duas bocas.

Fui dignamente esculpida, em saliva.

Não houve dupla penetração. Eram três corpos com febre. Uma anestesia. Durou um dia.

Não houve “Oh, God. Oh, God.”
Houve sexo português, suado e dirigido por Michaël Cohen. 

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