¿Tienes protección?

Sempre que os sentimentos da experiência do momento afloram, nossas tomadas de decisão também mudam. Na hora H, agimos mais com emoção do que com a razão.

Todo mundo fala que não abre mão da camisinha, mas a irrigação de hormônios muda esse quadro rapidinho. Somos previsivelmente e deliciosamente irracionais. A cultura do imediatismo também diminui o valor da qualidade das experiências. Orgasmo parece ser sinônimo de pressa, por mais lento que o processo pareça. Uma eterna cegueira enquanto dura. Talvez um dos únicos segundos em que as pessoas consigam pensar somente e tão somente no momento presente.

O massacre da mídia à imagem da mulher reforça o comportamento destrutivo. Sendo assim, parece que a camisinha é mais uma coisa chata para atrapalhar o que já não é lá essas coisas. Acaba por se tornar uma ameaça ao bom desempenho na hora da cama. Confesso. Assim como a torcida do Flamengo, também acho que a versão sem cortes e pausas é a melhor, apesar de arriscada. Quando o irracional torna-se racional, o melhor do sexo já era. Daí a dificuldade de inserir a camisinha, sem dramas, no roteiro ou no contexto.

Fora isso, a mulher, que também quer ser aprovada, parece sentir-se intimidada em tirar a camisinha da bolsa, num primeiro encontro. Ainda apegada a um modelo de comportamento “mocinha”, fruto de uma educação pra lá de machista e contraditória, acredita que muita atitude espanta o pretendente.

Numa conversa sobre o não uso da camisinha, um amigo me disse que adolescentes mais feinhas começam a ter relações sexuais mais cedo que as mais bonitinhas. Por se sentirem fora dos padrões estabelecidos e para conseguirem vantagem no jogo de sedução, elas se atiram ao sexo de forma irresponsável, tornando-se meninas mais vulneráveis. Há claramente, uma relação entre autoestima e uso de preservativos. É o amor próprio que está em falta no mercado. Porque camisinhas e campanhas não faltam. Assim como também não faltam pílulas do dia seguinte e cartelas de engov para ressaca moral.

Quando a autoestima é baixa, um é facilmente convencido a abrir mão para não perder o desejo do outro. Fato. Continuando a conversa, ele me conta, como se eu não soubesse, que toda mulher tende a deixar de usar o preservativo depois que a relação com o homem começa a ficar estável. As mulheres tendem a acreditar que o parceiro é ou não do grupo de risco fazendo uma análise superficial e romântica do comportamento do sujeito. Explico: É educado, almoça com a família aos domingos, não usa drogas injetáveis, come pipoca no cinema e só se masturba em casa.

Só quem não cai nesse tipo de conto são as prostitutas, em geral, mais cuidadosas do que as mulheres que não vivem do sexo. O grupo de risco mudou. Aliás, isso já nem existe mais. Dentro do grupo das profissionais, por exemplo, as prostitutas de luxo são as mais exigentes e não abrem mão da camisinha. Já as garotas de programa mais pobres chegam a aceitar sexo sem camisinha, geralmente quando o homem, seja ele um jogador de futebol, um advogado, um dentista ou um empresário, se dispõe a pagar mais pelo privilégio.

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