Oh Lord

A natureza não julga. Ela mata inocentes e culpados sem fazer a menor distinção. Um terremoto leva um bebê de dois anos, um traficante de drogas, um violinista, um médico, uma faxineira pobre e seu patrão rico. Também não deixa de levar um coach, já que é sábia.

Manda um simples recado que nenhum de nós é capaz de entender.
Os parâmetros de certo e errado que nós estabelecemos são falhos, porque foram criados por nós.
Não existe inocente ou culpado. Não existe um Deus, sentado numa poltrona, escolhendo quem serão as vítimas de um furacão ou quais serão os passageiros de um avião que vai desaparecer do mapa. Quais os que merecem continuar vivos e quais os que já estão prontos para fazer a tal da passagem.

Quero morrer quando ouço uma retardada que estudou em Harvard dizer “Fulana não merecia ter um filho autista.”. Quem merecia cara pálida? Quais são os seus parâmetros de avaliação?


O papo do carma entra para explicar o inexplicável e confortar os mais conformados. Aliás, muitíssimo bem bolado.


Esse Deus punitivo que o homem criou para esconder de si mesmo sua própria insignificância é absolutamente infantil.
Céu, inferno, umbral. Um verdadeiro circo.
Não existe razão ou controle. Não existe justiça. E o homem pira ao lidar com o que ele não controla. É uma dificuldade incrível em lidar com a própria impotência.

Absolutamente nada depende do que nós achamos que sabemos! E, cada vez que um acidente acontece e alguém morre, um homo sapiens programado olha para outro e diz:

_ Veja você! Que loucura. Ontem, fulano estava aqui, com a gente, tomando um chope. Estava animado com a viagem que estava planejando para Praga. É impressionante. Que fatalidade! Qualquer um de nós poderia estar naquele avião. É por isso que eu digo: Temos que celebrar a vida todos os dias. Amanhã, pode ser que a gente não esteja mais aqui.
A esposa do homo sapiens rebate:

_ Amor, vira essa boca pra lá! E se tiver madeira por perto, ela vai dar três soquinhos.
penso: como não se cansam de repetir a mesma fala, sempre.

Pois, enquanto eu continuar passando por um cara deformado, sem braços e pernas, montado num skate, pedindo esmola para sobreviver e_ isso não mudar em absolutamente nada o meu estado de espírito_ não há santo que me convença de que Deus esteja por perto.

Somos todos pobres de espírito e egoístas.

O amor que  nós conhecemos é o amor romântico.
Portanto, não me venham com quilos de farináceos ou roupas e brinquedos usados. Isso é fácil.
Esquecemos completamente da parte mais difícil:
Amar o próximo!


Se eu abro a boca, é capaz do homo sapiens programado me perguntar se “Amar ao próximo!” é uma série e, se tem no Netflix. 

Deus, me livre.

12 comentários sobre “Oh Lord”

  1. A necessidade de controle sob as coisas nos é endêmica. Inclusive serve de parâmetro, a meu ver, para classificar sociedades. Aqui não há terremotos… Mas cadê o Amarildo ?

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