pense antes de abrir a boca

De acordo com o antropólogo carioca Marcelo Ramos, o preconceito faz parte da vida em sociedade. “A inclinação do homem em sociedade é a de rejeitar tudo que lhe é estranho ou não está de acordo com sua visão de mundo, costumes e hábitos”, afirma.

“Buscar as origens do preconceito, sua história, é correr o risco de se perder num caminho longo demais”. Ele conta que poderia chegar ao etnocentrismo dos europeus, com suas certezas racistas. Mas, para não tornar o papo longo demais, Marcelo afirma que em todos os casos, preconceito trata de distância, de diferença e de desconhecimento do outro, seja o afastado de nós ou o que está ao nosso lado e que nos provoca tanto estranhamento quanto o contato com sociedades e culturas exóticas. O trabalho é árduo tanto para se mostrar quanto para se ocultar o que se pensa.

É essa distância, não apenas espacial, mas principalmente de valores, visões de mundo, hábitos e costumes, entre sociedades e culturas e entre indivíduos ou grupos dentro de uma mesma cultura, que fornece as bases para o preconceito.

Na busca de uma explicação para existência do preconceito, cabe chamar atenção ainda para o fato de que, na vida social, cada categoria de pessoa tem seu lugar mais ou menos definido, normalmente a partir das relações de poder e hierarquia existentes. Preconceito aparece muitas vezes como sinônimo de discriminação e intolerância.

Confessar todos os seus preconceitos não é simples nem confortável. Até mesmo assumir uma posição ou defender uma ideia diante de questões polêmicas pode se constituir num pesado fardo. Desempenhamos um papel social e procuramos, num processo que revela e oculta, agenciar as impressões que transmitimos uns aos outros, sendo o rótulo de preconceituoso, coisa que poucos suportam carregar.

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