sem sal

Partindo do princípio de que todo ser humano é contraditório, fica mais simples deixar de lado os discursos hipócritas que acabam separando ou segregando pessoas que buscam a mesma coisa, mas de formas diferentes. Quando um hábito alimentar se torna uma seita, por exemplo, ganha adeptos neuróticos e perde [ou anula] a oportunidade de despertar em outros a curiosidade e o desejo de descobrir novos hábitos, transformar antigos e até mesmo de circular por ambos. Exemplo: Não é porque eu tomo coca-cola e consumo outros tipos de produtos industrializados [como papel higiênico macio, aqui vai vai uma espetada] que eu não tenho o ‘direito’ de comer grãos, orgânicos, suco de capim e me sentir muito bem por isso.

Quantas vezes já ouvi ‘você toma coca-cola?’ com olhares de espanto, como se eu, uma pessoa que tem acesso ao males que meu refrigerante preferido faz, tivesse a obrigação de cortá-lo da minha lista de prazeres. São muitas propostas, muitas regras, muitos discursos.

Tenho a sensação de que perdemos o bom senso e estamos proibidos de sentir vontades. Nos distanciamos dos nossos instintos e estamos sobrevivendo a base de regras e modas. Se você é o que você come, com certeza, você também é o que você pensa. Pensamentos tóxicos e inevitáveis, voltando ao princípio, nos tornam farinha do mesmo saco. Essa busca incessante do rótulo não abre espaço para que as pessoas exercitem o que pregam com voracidade: a tal da diversidade.

De nada vale julgar o outro, permitir-se ser julgado e, principalmente, cagar regras. Porque você também é o que você caga.
 A idéia é simples. Em um mundo caótico, onde a indústria vende a doença para depois te vender a cura, a saída é tentar escapar dos rótulos  e fazer o possível para usar a alimentação ‘consciente’, incluindo a alimentação dos pensamentos, como forma de conexão com o que há de mais forte nessa vida: nossa natureza. Sem perder, nunca, o prazer de comer.

Porque sem o desejo e a satisfação dele, o mundo fica muito sem sal.

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