tapa na cara

Cheguei ao apartamento de Patrícia Araújo, em Copacabana, por volta das seis da tarde, numa terça-feira. O susto foi grande, quase perdi o fôlego. De cara lavada, calça de moletom e camiseta, Patrícia era ainda mais bonita e sensual do que nas fotos que eu havia visto na Internet. Diante daquele monumento, tentando me concentrar e não perder o foco, pedi um copo d´água e acendi um cigarro.

Educada e extremamente doce, ela se movia sem pressa, com a segurança e a determinação de quem sabe aonde quer chegar. Os movimentos eram todos delicados, sua sensualidade era quase paralisante. Tipo de mulher que vai ficando mais bonita ao longo da conversa.

Era charme misturado com Angel ou J’Adore, que são perfumes fortíssimos [daqueles que ficam presos em elevadores]. Pronto! Me desconcentrei. Comecei a imaginar a quantidade de banhos que um cara teria que tomar pra não chegar em casa, pós-Patrícia, exalando adultério. Enquanto engolia o cigarro, meus olhos percorriam cada canto daquele apartamento e cada gesto daquela pessoa que, na certa, também estava avaliando todos os meus movimentos. Por trás daquela delicadeza, havia um homem forte, determinado, direto e divertido. Sarcasmo discreto e na dose certa.

Eu, que nunca havia sequer conversado com profissionais do sexo em mesas de bar ou dado carona às que ficam na estrada, estava ali, diante de um dos brinquedos mais radicais do parquinho. Estar ao lado de uma mulher e imaginar um pinto avantajado no meio daquilo era excitante e desconcertante. Minha cabeça girava para cruzar os dados. Porque desde que o mundo é mundo, a gente aprendeu a separar [pra depois juntar] meninas e meninos.

A curiosidade feminina era maior e mais forte que toda e qualquer tentação — a de sair correndo dali ou a de pedir pra ela tirar as calças e me mostrar onde escondia o instrumento. De um jeito ou de outro, ali estava eu querendo entender aquela fantasia manipulável, que se torna mulher sem abrir mão de ser homem, querendo sondar o terreno e descobrir o que leva um homem a procurar um travesti.

Não demorou muito para eu entender que quem chega ali, além de curioso, sente prazer com sexo anal. Talvez os traços femininos deixem os que a procuram mais excitados ou menos constrangidos. Conversamos sobre prostituição, sobre preconceitos, sobre comida e até sobre astrologia. No fim da converesa Patrícia estava me dando conselhos e até dicas de maquiagem. Quando a percebi como menina [sem me dar conta de que a única menina ali era eu], resolvi questionar sua fonte de renda, seu diferencial. Resolvi perguntar se ela sonhava em livrar-se do pênis e tornar-se uma “mulher”.

Sem dó nem piedade, com ar de deboche, ela me deu um merecidíssimo tapa na cara: ”Para as mulheres talvez seja mais fácil aceitar a vida sem orgasmo. Mas, para um homem, isso é inconcebível! Querida, abro mão de tudo, menos do meu pau”.

Depois do tapa, saí de lá perturbada e consciente de que gosto daquilo que me desperta [exceto despertador]. Acho um saco, um horror, essa coisa de ter que escolher um homem, uma mulher ou um labrador. Opção sexual: sem dor, por favor.

Um comentário sobre “tapa na cara”

  1. Depois de alguns lidos…….concordo com este em específico.

    Que mau tem gostar de pau! É mulher porra! Ainda há quem diga que não pode, que se escolher ser mulher vira objeto, coisa de mulher machista também…..aiaiai, pobres!
    Como a fixação em peitos descrita em texto já lido……não só eles, eles também, é muito bom quando se encontra uma mulher decidida a ser mulher !!!! Sem medo de o ser!

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