bem educado

Hoje, eu vi uma mãe, num restaurante, com o filho, fazendo um sermão, em público.
_ Seu boletim é medíocre. Sua escola é particular e muito cara. Seu pai trabalha duro para você estudar junto com os filhos da Angélica e do Luciano Huck. Você não tem feito seus deveres de casa. Se você continuar assim, vou parar de pagar suas aulas de tênis, golfe e equitação. Nos finais de semana, você vai estudar.
Aliás, se suas notas não melhorarem, adeus guitarra.
Aos berros, dizia: _ Você está entendendo o que eu quero dizer?
A mulher mastigava e falava ao mesmo tempo. O menino se encolhia na cadeira do restaurante. E, cada vez que ele tentava argumentar, ela aumentava o tom de voz. Fez discursos sobre o valor da educação [que ela não tem], falou sobre o desperdício do dinheiro [coisa que ela deve fazer, com frequência] e seguiu humilhando – educando – seu filho.
Por um momento, pensei:
Ele não pediu para nascer. Ele não teve a chance de escolher seus pais nem seu nome. E_ provavelmente_ não foi ele quem se matriculou na tal escola. Mesmo assim, ele é obrigado a sentir-se agradecido e culpado por ter a oportunidade de estar sendo ‘bem educado’

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *