rehab

Reparei que a chegada de um novo membro deixava o grupo curioso, excitado. Normalíssimo. Um novo membro, uma nova história. Quebra a monotonia. Comecei a farejar fanatismo e sexo. E, por mais que eu tentasse me concentrar no lado positivo daquilo tudo, minha cabeça me levava pra longe. Já que o uso de drogas e álcool não era permitido, eu precisava encontrar alguma outra coisa interessante que me prendesse ali. Olhei para os lados. Pronto! Precisava me interessar por alguém. Segundo os membros daquele grupo, esse tipo de desvio era uma característica comum do compulsivo. Bom, se é comum, pensei, deve rolar direto. Ótimo. Havia uma explicação médica para aquele pesadelo.
Todo mundo fazia o que bem entendia e colocava a culpa no descontrole gerado pelo vício – ou melhor – pela doença. Rolava paquera naquela sala. Todo mundo se comia ou ao menos pretendia.
Não demorou muito, um membro do grupo me convidou para ir ao cinema. Eu aceitei o convite. No cinema, quase tudo pode. Dentro daquela sala escura, fora o filme, não havia nenhuma droga disponível.
Portanto, estávamos livres para adoecer à vontade. Beijo na boca, sexo oral. Muita saliva. Dois adolescentes querendo esquecer as dores do presente e viver as emoções do tempo em que pouco era muito e bastava.
Perfeito! Comecei a me arrumar para ir às reuniões, inventei um romance sem futuro e sem risco de ressaca. Encontrei um estímulo para fingir que eu realmente estava disposta a cuidar de mim em grupo e acreditar que eu era vítima de uma doença incurável e progressiva.
No entanto, quanto mais eles falavam dos desastres que ainda sangravam em suas mãos, mais vontade de me entorpecer eu sentia. Aquela mistura de gente com vontade contida me deixava descontrolada, esfomeada, perigo constante.

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