tapioca

De repente, ele resolve trazer um ser vivo_ um cachorro_ pra dentro do apartamento. Praticamente, um urso polar. Um samoieda. Origem: Sibéria.
Me encantam os ignorantes que trazem cachorros que nasceram para viver em lugares frios para viver em terra brasilis.
_ Amor, ele não é lindo? Comprei pra gente! Pesquisei a raça na internet!
O Samoieda prefere viver dentro de casa, com sua família humana. Sua pelagem espessa precisa ser escovada e penteada de duas a três vezes por semana….
_ Parou! Parou! Você passou dos limites. Eu não vou criar um urso dentro de um apartamento!
_ Amor, isso vai ser bom para você. É um objeto de afeição.
_ Um objeto?
_ É um ser vivo. Que come, que caga e que demanda atenção. Nada disso combina comigo. Enclausurar um bicho não combina comigo. Estamos há dois anos juntos e, de repente, você resolve comprar um filho!
_ Não seja radical. Ele é um fofo. Ah! O nome dele é Tapioca!
_ Pelo amor de Deus. Que coisa mais cafona. Você é um inconsequente. Uma bicha carente. Minha homossexualidade tem limites. Eu não vou passear no Ibirapuera com um cachorro exótico para chamar a atenção dos outros e bater papinho com donos de outros cachorros. Com todo respeito, eu não sou o Alexandre Herchcovitch.

Dois meses se passaram.

Eu perguntei:
_ Ricardo, você já se acostumou com Tapioca?
_ Não. E ainda me sinto culpado. Esse cachorro fudeu a minha vida. É pelo pra todo lado. Ele tem muita energia. Não para quieto. Me deixa desorientado. Além disso, não gosta de crianças, o que me deixa muito intrigado. Óbvio que quem leva o cachorro para correr sou eu, porque o Leo é um sedentário. Além disso, descobrimos que Tapioca é diabético. Depois que o Leo inventou essa, nossa relação se tornou um inferno. Estamos fazendo terapia de casal, você acredita?
_ Acredito. E adoraria ouvir a terapeuta te dizendo que Tapioca surgiu para que vocês aprendessem a lidar com as diferenças e que essa experiência ridícula pode ser “muito rica”.
_ Silvia, o que é que eu faço? Ando agressivo. Nunca fui assim.
_ Faça o que Tapioca não pode fazer.
_ O que?
_ Abandono de lar, baby!

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