fadas

 

Não é um conto erótico de terceira. É um relato de uma mulher que resolveu entrar no seu campo de concentração e masturbação [onde tudo é permitido] e falar sobre um proibido que jamais deveria ter sido. Mulher que não se permite ser descoberta por outra mulher perde a chance de viajar ‘para’ Collete.

No Brasil, viajar para Collete é drama e tema de programas no GNT. Ou seja, não acontece naturalmente.

Já fui discreta, já deixei o dito pelo não dito. Já disfarcei e já me enrolei. Hoje, sem pudor e sem sombra de dúvidas, afirmo: sexo entre fadas é escultura viva.

Fadas são mulheres que transitam entre o lado de lá e o lado de cá. Fadas não precisam de rótulos. São libertárias, curiosas. Estão mais interessadas na Simone de Sartre no que na de Beauvoir. E não estão interessadas em glossários que definam em que cadeirinha elas devem sentar. Eu descobri esse universo no corpo de uma professora. Demorei um tempo para perceber que cada movimento daquela mulher me deixava meio olhando pra lá e pra cá, como quem tenta entender ou disfarçar o que há. Só sei que eu cruzava minhas pernas e sentia o coração bombar. Meu cérebro fingia estar confuso. Meu corpo não.

Depois de quase dois meses de tortura, numa ida até a cozinha, já cansada de tentar me concentrar [era hebraico o que ela tentava me ensinar], acabei me deixando levar.

Não desviei os olhos, parei de contar os minutos para que ela fosse embora e eu pudesse me masturbar. Decidi encarar o desejo que eu sentia e reprimia, decidi me lembrar das inúmeras vezes que as nossas pernas se encostaram debaixo da mesa e do jeito ‘nada convincente’ que a gente adotava para disfarçar.

Na cozinha, em busca de água, começamos a nos beijar, encostei meu corpo nos ladrilhos da parede, como um bicho ofegante que se esparrama em um piso de pedra quando está encalorado. O desejo _ que move o mundo _ estava prestes a mudar o meu. E eu nem cheguei a abrir a geladeira.

Ela se aproximou, encostou as mãos no meu rosto e começou a me beijar, como se aquele fosse o meu primeiro beijo. Afinal, tratava-se de uma professora. Devagar, ela foi se agachando e me torturando. O prazer era tão intenso que _ por segundos _ eu não consegui me mover. ‘Chegou a hora de morrer’, pensei.

Eu suava. Os ladrilhos tremiam. Ajoelhei-me, abri suas pernas, afastei a calcinha pro lado e… quero ser John Malkovich. Tentei começar devagar. Mas, conforme ela se contorcia, eu me perdia no descontrole dos meus movimentos absolutamente sincronizados. Meu corpo inteiro ardia. Foram quatro horas de aula por todas as partes da casa.

ps: Caro leitor, Collete não é uma cidade.

3 comentários sobre “fadas”

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