Silvia Pilz
  • piauí
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    Sua oficina mudou-se recentemente do subúrbio industrial de Bonsucesso para Jacarepaguá. Mas o mecânico Alexandre Louzeiro Ribeiro continua suando a camisa, com as mãos sujas de graxa, entre carros com as tripas viradas pelo avesso. Ele é dono da Rio R134, oficina especializada em consertar ar-condicionado de automóveis. O nome soa estranho, mas faz sentido. Chama-se Rio, pela cidade encalorada onde mora sua freguesia, e R134, por ser esta a sigla de um tipo de gás de refrigeração inofensivo à camada de ozônio. A mecânica tem três funcionários. E o proprietário também pega pesado no batente. “Às vezes, durmo na oficina”, diz Ribeiro, que tem 37 anos. A sua semana de trabalho entra sábados adentro. É só nas horas de folga que ele veste o smoking. Para tocar violino na Orquestra Filarmônica do Rio de Janeiro.

    As duas vidas de Alexandre Ribeiro raramente se cruzam. Mas como a Rio R134 oferece o serviço de retirada e devolução dos carros que conserta, houve há pouco um desses cruzamentos. Numa tarde, ao fazer a entrega de um automóvel, ele foi paramentado para seguir direto a um palco de concerto. O cliente, ao ver o dono da oficina de smoking, quis saber se ele ia a uma festa a fantasia.

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    O adolescente Francisco Ribeiro Eller é a normalidade em pessoa. Gosta de videogame e futebol. Torce pelo Vasco. Tem aulas de bateria. Na escola, os colegas dizem que ele costuma assumir sozinho, erros cometidos em grupo, e os professores contam que já o viram peitar um PM, tomando o partido do menino de rua que o soldado destratava. Tanto os colegas quanto os professores só o chamam de “Chicão”.

    Nada lembra o menino que, no começo da década, estrelou um debate nacional sobre a sua educação, que era considerada um “problema”. A não ser pelos cabelos encaracolados, quase louros, e os olhos verdes. Com um metro e setenta de altura e ombros largos, Chicão continua a provocar comentários de que é a cara da mãe. E sua mãe foi a cantora Cássia Eller, que morreu de repente, em 2001, deixando-o no meio de uma disputa que marcou época na justiça.

    Sem pai nem mãe, a guarda do órfão era requerida pelo avô materno, o sargento reformado Altair Eller, cujas prerrogativas de parente mais próximo pareciam incontroversas. Mas um parecer do juiz Luiz Felipe Francisco, da 2ª Vara de Órfãos e Sucessões do Rio de Janeiro, entregou sua tutela, até os 21 anos, à nutricionista Maria Eugênia Vieira Martins, a “mãinha” de Chicão, que vivera com Cássia Eller por cerca de quinze anos.

    Foi um caso rumoroso, que levou os alunos do Centro Educacional Anísio Teixeira, o CEAT, onde o menino sempre estudou, a fazer piquetes na porta do Fórum, em campanha pró-Eugênia. As irmãs da cantora deram declarações aos jornais, criticando o próprio pai. A mãe de um colega de Chicão entrou no debate com seu testemunho: “Nossos filhos costumavam freqüentar a casa delas. Eugênia não usa drogas, é uma pessoa maravilhosa e sempre agiu como mãe dele”. Exumou-se, para a ocasião, até uma entrevista de Cássia Eller, onde ela dizia que “Eugênia virou dona-de-casa, cuida do meu filho, me ajuda muito e adora fazer isso”. E a escola anexou ao processo os certificados de matrícula. Eram todos assinados por Eugênia.

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    perfume

    Na aparência, o nariz do francês Thierry Bessard não tem nada de mais. Nem bonito nem feio, nem grande nem pequeno, ele se confunde com milhões de outros narizes que se vêem pelas ruas de São Paulo. Mas é justamente pelo nariz que Bessard se distingue da maioria dos outros homens. Ele é capaz de farejar cerca de três mil essências diferentes – de tradicionais, como a da rosa, até as exóticas, como a do óleo de dendê – e combiná-las em quantidades ilimitadas de fórmulas que têm odor completamente distintos umas das outras e são capazes de despertar sentidos, levantar astral e até definir personalidade em fragrâncias.

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