Sua oficina mudou-se recentemente do subúrbio industrial de Bonsucesso para Jacarepaguá. Mas o mecânico Alexandre Louzeiro Ribeiro continua suando a camisa, com as mãos sujas de graxa, entre carros com as tripas viradas pelo avesso. Ele é dono da Rio R134, oficina especializada em consertar ar-condicionado de automóveis. O nome soa estranho, mas faz sentido. Chama-se Rio, pela cidade encalorada onde mora sua freguesia, e R134, por ser esta a sigla de um tipo de gás de refrigeração inofensivo à camada de ozônio. A mecânica tem três funcionários. E o proprietário também pega pesado no batente. “Às vezes, durmo na oficina”, diz Ribeiro, que tem 37 anos. A sua semana de trabalho entra sábados adentro. É só nas horas de folga que ele veste o smoking. Para tocar violino na Orquestra Filarmônica do Rio de Janeiro.
As duas vidas de Alexandre Ribeiro raramente se cruzam. Mas como a Rio R134 oferece o serviço de retirada e devolução dos carros que conserta, houve há pouco um desses cruzamentos. Numa tarde, ao fazer a entrega de um automóvel, ele foi paramentado para seguir direto a um palco de concerto. O cliente, ao ver o dono da oficina de smoking, quis saber se ele ia a uma festa a fantasia.

