Silvia Pilz
  • playboy
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    Sexo gera expectativa e dá frio na barriga. Penso na roupa que vou usar, por mais que eu tente me enganar, estava claro que a minha vontade era impressionar. Fora isso, a espera [sexo com data marcada] foi me deixando cada vez mais excitada e descontrolada. Dentro do avião, minutos antes de chegar, meu coração pulsava na garganta. Quando desembarquei, voltei a respirar. Quando vi aquele gigante no aeroporto, me esperando [ansioso], percebi que a vontade dele era quase maior que a minha. No carro, a coisa já começou a esquentar. Foram aproximadamente 20 minutos de trânsito. Tempo suficiente para ter aquela sensação boa do antes, aquela em que o corpo parece gritar. Chegamos ao apartamento e corremos para a cama, como um casal de adolescentes desesperados. Por algumas horas, meu corpo dominou a cena. Ele me olhava nos olhos, como se estivesse diante de um mito. Uma mistura de tesão com vontade louca de me desmitificar. O sexo foi intenso, denso. A química não deixava a gente parar. E quanto mais se gozava, mais se queria gozar. Beijo na boca, arrepio na coxa e uma vontade incrível de sentir ele pulsar. Minha fome era tamanha que só consegui me sentir devidamente saciada quando o senti gozar na minha boca. Eu precisava engolir aquele homem. Mas quem me engoliu foi ele. Depois do sexo, resolvemos conversar. Naquele primeiro encontro, eu não queria falar sobre as minhas inseguranças, medos e incertezas. Eu não queria saber das convicções e das certezas dele. E era justamente lá [aqui dentro] que ele queria chegar. Começou dizendo que não suportava os relacionamentos formais entre casais e que não pretendia ‘namorar’. Terminou dizendo que se eu parasse de fumar seria mulher perfeita para casar. Não sei bem aonde ele queria chegar. Eu resolvi ir embora antes da ‘palestra’ terminar. É da minha natureza escapar, zarpar. Coisa de quem foi criada perto do mar.

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    puf

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    macarena

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    poesia

    Meu primo sempre me comeu com os olhos. Ele disfarçava mal, mas tentava. Sempre foi o tipo de cara que prefere alimentar, em vez de matar, suas vontades. Ele se privava, se proibia, não se permitia, e isso era o que mais me instigava. Quando juntos, normalmente em almoços de família, percebia que os olhos dele acompanhavam cada movimento meu. Sentia o desejo dele me atravessar. Isso me deixava muito excitada e completamente desconcertada. Ficava sem saber onde colocar minhas mãos, mexia nos cabelos, enfim, acabava deixando meu corpo falar mais alto enquanto a boca, calada, só salivava. Muitas vezes sonhei acordada, me masturbava imaginando que estávamos transando dentro do carro, no lavabo e até dentro do armário. E quanto mais ele nos proibia de passar, de uma vez ou uma única vez, pela experiência, mais vontade eu tinha de devorá-lo.

    Até que um dia, num casamento de família, o inesperado mais esperado que nunca aconteceu. Numa mesa redonda, com lugares marcados. Todos já estavam pra lá de Marrakech, naquele estágio em que dançam macarena alegremente. Enquanto todos participavam da mais constrangedora coreografia da história da humanidade, eu e ele continuamos sentados, com aquela cara de ‘a gente não combina muito com isso aqui’.

    A sensação de inadequação misturou-se com o desejo latente e de repente, para minha surpresa, o sempre ‘contido’ escorregou pra debaixo da mesa, ajoelhou-se, afastou as minhas pernas, puxou pro lado a minha calcinha e matou a sede. Eu tentei controlar as feições do meu rosto. Aquela situação estava me lembrando uma versão pobre do filme dinamarquês, Festen [Festa de Família], recheado de revelações bombásticas. Coloquei as mãos no rosto e abaixei a cabeça. Mordi os dedos da minha mão, respirei fundo, fechei os olhos. A intensidade dos movimentos [debaixo da mesa] me fez apertar um botão chamado foda-se. Decidi escorregar da cadeira e sentar onde eu sonhava sentar por anos. Foi tudo muito intenso e muito rápido. Ali, debaixo da mesa, por minutos ou segundos, crime e castigo foram deixados de lado.

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    tiro

    Um juiz federal me foi empurrado por uma amiga casamenteira, daquelas que não entendem que estar só, muitas vezes, é bem melhor que estar mal acompanhada. Ela me pegou de jeito, numa fase em que eu não sabia se queria ser uma esposa feliz e asfixiada ou uma solteira deprimida rodeada de ar fresco. Ela insistiu. Mexeu com meus sonhos de menina, me fez deixar minha princesa descabelada no armário e me vestir de mocinha para conhecer o tal moço. Disse que o cara era o tipo perfeito para um casamento sereno e tranquilo, o que é uma coisa detestável e tentadora para homens e mulheres de inteligência mediana. Conheci o cara na festa de aniversário dela, num ambiente supostamente familiar. Vários juízes federais e suas esposas de unhas impecáveis. Todos bebendo moderadamente, falando sobre suas viagens pro estrangeiro e ouvindo Rod Stewart. Nada ali, exceto eu, estava fora dos padrões. O cara não era bonito nem feio. Padrão funcionário público bem remunerado. Quando o vi pela primeira vez, gostei. Alto, olhos pequenos e nariz pontudo. Usava perfume, coisa que eu detesto. Mas, como eu já tinha bebido, o olfato estava comprometido. Verifiquei o tamanho do pé e a escolha do sapato. Isso é tudo num homem quando você não gosta dele de primeira. [O bom mesmo é gostar de cara e achar que ele é o único homem do mundo que fica lindo com meias brancas e sapato social de última categoria.] Ele puxou da carteira o discurso do bom moço. separado, muito bem resolvido, pseudoconservador, muito bem empregado. Juiz federal, autoridade nacional e coisa e tal. Eu me perdi na descrição do produto e aceitei sair com o cara. Perdi a noção do ridículo. Se eu precisar do currículo, do histórico e das perspectivas de vida do cara pra me interessar por ele, é sinal de que ele não basta. Mas, se tem uma coisa que eu sei fazer e faço bem é merda. Fui parar num motel e o juiz federal virou uma mocinha. Me pediu para chamá-lo de Simone, empinou a bunda, olhou pra mim e disse: ”Chupa meu peitinho”. Eu me fiz de boba, fiquei repentinamente sóbria, disse que estava enjoada e só pensava em como sair dali sem deixar o clima pior do que já estava. Simone sacou que eu não curti seus peitinhos nem me encantei pelo rebolado. Na certa, a autoridade deve ter me achado moderninha, liberal [ jornalista da cabecinha aberta] e se sentiu livre para soltar suas feras. Se enganou. Detesto mexer com o sagrado e tenho medo de quem trabalha com entidades.

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    blow up

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    fotografia2

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    simples assim

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    linda1

    ‘Minha melhor amiga frequenta muito a minha casa. Ela é uma mulher interessante, quase fascinante. Sua sensualidade é crescente. Tem corpo e jeito de menina, mas parece exalar sexo, e de um jeito ou de outro acaba seduzindo e cativando homens e mulheres. Seu olhar é intenso e seus seios são [sempre foram] naturalmente perfeitos. Sempre achei, com a mais absoluta certeza, que meu marido se sentia atraído por ela. O comportamento dele sempre mudava quando ela chegava. Por mais que ele tentasse demonstrar descontração, o que ele sentia mesmo era um puta tesão. Mais de uma vez, na piscina, percebi os olhos dele percorrendo o corpo dela, quase hipnotizado, vidrado naqueles seios que vieram ao mundo para tirar qualquer um do sério.

    A sensação nunca me incomodou. Muito pelo contrário. Sempre me excitou. Numa tarde de sábado, com a casa cheia de amigos [no máximo dez pessoas], depois de nadarmos e tomarmos vinhos de todas as espécies, percebi que os dois estavam ‘conectados’. Era como se a atração fosse muito maior que a razão e o sexo já estivesse rolando antes mesmo de eles se tocarem. Num dos quartos, meu marido guarda seus livros, filmes e CDs. E foi para lá que eles foram, com a desculpa de que faltava boa música pro nosso fim de tarde. De um canto do quintal, escondida atrás do varal, me posicionei para assisti-los e, por mais estranho que possa parecer, tudo que eu queria era sentir, mesmo que distante, o tesão ofegante que já havia tomado conta deles. Não demorou muito, ele já estava com as mãos naqueles seios perfeitos, primeiro por cima e, depois, por baixo do biquíni. Eles se beijavam como dois adolescentes. Estavam em transe. Não pareciam preocupados, não olhavam pros lados. Quando percebi que estavam para lá de excitados, ou seja, quando vi meu marido de pau duro, colocando as mãos por dentro da calcinha do biquíni dela, perdi a razão. No meu canto, comecei a me tocar delicadamente [se fizesse isso bruscamente, gozaria em segundos e minha intenção era prolongar a sensação, seguir o ritmo deles]. Imaginá-la molhada me deixava ainda mais excitada. Quando ele começou a esfregar seu pau nos lábios da vagina dela, fiquei louca de prazer. E, no momento em que ele a penetrou e eu pude ver, no rosto dos dois, o prazer desesperador que antecede o orgasmo, mordi meu ombro para segurar a vontade de gemer e gozei, com imenso prazer. O mesmo aconteceu com eles, antes mesmo que os meus batimentos cardíacos voltassem ao ritmo normal e eu retornasse à sala, com semblante de anfitriã comportada, devidamente saciada.’

    Me chamo Ana, tenho 26 anos e estou casada há três. Sou limitada, desconheço meus limites e nunca fui uma boa seguidora de regras. Não suporto hipocrisia. Transformo realidades em fantasias.

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    edie-7

    A mulher deseja ser desejada. Seu pleno reconhecimento vem do olhar de desejo masculino e feminino. Sem isso, mesmo as mais belas, sentem-se fracassadas. Seja nua ou vestida, a intenção é exibir a forma e obter aprovação dos semelhantes. Não há mais pudor em se valorizar a beleza comprada, fruto de investimento de tempo e dinheiro. A busca pela perfeição física tornou-se imperativa.

    Perdemos a noção do ridículo e pagamos caro por isso. A liberdade para agir sobre o próprio corpo não para de ser estimulada e cobrada, trazendo a idéia de que só é feio quem quer. Hoje, mostrar o corpo é exibir uma conquista. A nudez parece confirmar a falsa idéia de que vivemos uma liberdade sexual sem precedentes. Se antes havia um pudor em expor o corpo, hoje é a exposição de um corpo fora de forma que é considerada indecente ou vergonhosa. Estamos andando pra trás e com força!

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    fadas

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    conversa

    Não é um conto erótico de terceira. É um relato de uma mulher que resolveu entrar no seu campo de concentração e masturbação [onde tudo é permitido] e falar sobre um proibido que jamais deveria ter sido. Mulher que não se permite ser descoberta por outra mulher não faz idéia do que está perdendo. Já fui discreta, já deixei o dito pelo não dito. Já disfarcei e já me enrolei. Hoje, sem pudor e sem sombra de dúvidas, afirmo: sexo entre fadas é um puta sexo.

    Fadas são mulheres que transitam entre o lado de lá e o lado de cá. Eu ‘descobri’ esse universo no corpo de uma professora. Demorei um tempo para perceber que cada movimento daquela mulher me deixava meio olhando pra lá e pra cá, como quem tenta entender ou disfarçar o que há. Só sei que depois de quase dois meses, numa ida até a cozinha, já cansada de tentar me concentrar [era hebraico o que ela tentava me ensinar], acabei me deixando levar. Não desviei os olhos, parei de contar os minutos para que ela fosse embora e eu pudesse me masturbar. Decidi encarar o desejo, o tesão que eu sentia e reprimia, decidi me lembrar das inúmeras vezes que as nossas pernas se encostaram debaixo da mesa e do jeito ‘nada convincente’ que a gente adotava para disfarçar. Na cozinha, em busca de ‘água’, começamos a nos beijar. O desejo reprimido fazia faltar o ar. Os gemidos eram fortes e não tive como controlar.

    Ajoelhei-me, pedi pra ela sentar, abri suas pernas, afastei sua calcinha pro lado [com vontade de rasgar] e fui com tudo. Ela já estava molhada e sentir aquele gosto foi me deixando insuportavelmente excitada. Tentei começar devagar. Mas, conforme ela se contorcia, eu acelerava. Cheirava e lambia. Meu corpo inteiro ardia.

    Fadas sabem trepar. Vale a pena experimentar. Ainda assim, preciso de um homem para me penetrar. Mais que fadas, preciso de um príncipe não encantado que me faça cair [de quatro] num conto de fadas.

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    dose dupla

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    pavão

    Festa de casamento em Portugal, num vilarejo distante de Lisboa. Muitos convidados. Fui porque era [e ainda sou] amiga da noiva. O noivo tinha primos [muitos primos], irmãos e amigos. Enfim, uma quantidade razoável e tentadora de convidados do sexo masculino, que assim como eu pareciam livres e desimpedidos. Para tentar manter um comportamento exemplar [estilo sou brasileira mas não sou fácil], me mantive quietinha, conversando com velhinhas e bebendo pouco. O garçom, porém, que definitivamente foi com a minha cara, não deixava de passar, de cinco em cinco minutos, e completar meu cálice de vinho. O casamento foi lindo e a festa também. Já no fim da noite, um dos convidados ‘primos’, que não morava no vilarejo e era piloto de avião, me perguntou se eu estava hospedada no mesmo hotel que ele. Eu disse que sim e ele me ofereceu uma carona. Me contou [cantou] que ele e outros primos, amigos e irmãos continuariam a festa, lá no hotel. Entramos no carro, paramos no meio do caminho para comprar mais vinho e fomos todos para aquele lugar cheio de quartos e camas tentadoras e impessoais. Eu não era a única mulher. Mas era a única brasileira. Escolhemos uma das suítes dos ‘meninos’ para começar a parte boa da festa [ça commence par la fin]. A maioria já sem sapatos, sem gravatas e com aquela cara de homem quando caça. Tentador demais para quem já estava com vestido e maquiagem em pedaços. Homem quando fica com cara de quem está em transe e olha para uma mulher como se estivesse com fome [muita fome] fica irresistível. Enfim, acabei na cama do piloto, que além de ter um bom papo era delicioso. Apesar da fome, do vinho e do cansaço, a performance era de um delicado ‘atleta’, sem pressa. Poucas vezes fui despida de modo tão gentil e tão bem ‘pilotada’. De repente, um outro convidado entra no quarto, com cara de ‘me enganei de porta’ e olhos de ‘daqui não saio’. Sem graça, disse que buscava um isqueiro para acender um cigarro. Pela primeira e única vez na vida, fiz sexo com dois homens ao mesmo tempo. O segundo era tão gentil quanto o primeiro e a coisa aconteceu naturalmente, como se aquilo fosse normal [um hábito português]. Eu, que pensei que fosse me assustar ou ter uma crise de moralismo barato, acabei me divertindo em dose dupla. E, por mais estranho que possa parecer, já que nos filmes pornográficos normalmente rola uma dupla penetração e os homens parecem cavalos trepando numa égua, a coisa rolou de um jeito delicado, como se, de repente, eu estivesse com dois namorados. Sexo português dirigido por Michaël Cohen. Suave e denso como o cinema francês.

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    Fui chamada pra ir à casa do namorado novo de amiga deslumbrada que estava numa fase nebulosa [pó]. O cara morava na Vieira Souto, numa cobertura fria. Cheguei achando que encontraria o casal e mais alguns convidados. Me enganei. Ele abriu a porta, apresentou-se e me perguntou se eu queria beber alguma coisa. Eu disse: ‘Não, por enquanto não’. Minha amiga estava no banho e a intenção do rapaz, de sobrancelhas feitas [detalhe importantíssimo] era me ciceronear até que a namorada aparecesse. 

    Percebi que eu era a única convidada da festa. Num telão gigante [home theater], desses que sempre me apavoraram quase tanto quanto caraoquê, rolava um show do Sting. A vista era espetacular e seria sedutora se eu não fosse carioca. O apartamento era impessoal, como um quarto de hotel. Aliás, se tem uma coisa que eu não entendo é esse fascínio da maioria pela tal da cobertura. Sentir-se acima de tudo e de todos deve ser excitante para muitos. O problema é que, antes do excitante, eu preciso do aconchegante.

    Minha amiga demorava no banho e ele insistiu nas bebidas. Começou a me mostrar o que ele tinha no bar. Eu disse que preferia tomar uma cerveja. Muito educado, aquele ser magro, bem-vestido e com gel nos cabelos vira pra mim e diz: ‘Não tenho cervejas aqui. Podemos ir até o posto comprar algumas’. Pensei que fôssemos esperar minha amiga sair do banho. Me enganei pela segunda vez. Ele pega a chave do carro e diz: ‘Vamos! Quando ela sair do banho, já estaremos de volta’. Descemos para a garagem. Ele me dá a chave do carro e diz, numa tentativa de aproximação, fingindo existir uma intimidade que não existia: ‘Quero ver você dirigindo’. Fiquei sem graça, sem ação. Achei aquilo estranho. O carro era um desses que faz brilhar os olhos de ‘gold diggers’. Não me lembro do modelo, do ano nem da cor. Mas, foi com ele que mais tarde eu fugi de lá.

    Para não parecer frágil, que era exatamente como estava me sentindo, sentei no banco do motorista e saí da garagem como se manobrar aquele carro fizesse parte da minha rotina. Ele, obviamente, começou a me dizer que eu estava dirigindo um carro assim e assado [descrições técnicas chatíssimas e adoradas por meninos]. Chegamos ao posto em menos de cinco minutos. Compramos a cerveja e voltamos pro apartamento. Quando chegamos, minha amiga já estava linda, leve e solta. Na verdade, um pouco agitada demais, quase histérica. Nos abraçamos [eu e ela] e começamos uma conversa sem pé nem cabeça. Eu fiz de conta que estava achando tudo aquilo natural e agradável. Percebi que a onda dos dois era outra. Começamos a beber. Pronto!

    O rapaz das sobrancelhas feitas já estava ‘íntimo’ e fazia o possível para me agradar. Os dois se sentaram no sofá e começaram a se beijar. Eu, meio sem graça, fui até a varanda, fumar um cigarro e respirar. Olho pra trás. Vejo minha amiga de joelhos e o cara sentado no sofá. Eles estavam começando e a intenção era que eu entrasse para terminar. A cena era mais assustadora que tentadora. Eu precisava de algo mais pra sair daquela varanda e caminhar até o sofá. Aliás, eu só precisava gostar de ménage à trois.