papai e mamãe

Por motivos que eu desconheço, a posição foi injustamente classificada como pouco prazerosa, careta, nada criativa. Tornou-se sinônimo de sexo insosso. E não é. Afinal, além da penetração, a posição faz com que o corpo do homem termine por tocar num ritmo quase perfeito o que ele realmente tem que tocar. Além disso, tem beijo na boca, tem olho no olho.

A sensação de estar sendo conduzida  e engolida pelo homem é extremamente excitante e aconchegante.

Eu não meto o dedo em fórmulas. Respeito as de sucesso. Só tomo coca-cola comum, só fumo marlboro vermelho e só pratico sexo com um homem de cada vez.

Sou uma mulher previsível. É tarefa simples me agradar. Sem rodeios e fantasias, tudo que eu admiro e almejo é um básico de primeira qualidade. E, por incrível que pareça, isso é raríssimo de se encontrar. O que determina sexo de qualidade está longe, muito longe de malabarismos.

Vontade de acertar a gente só tem quando alguma coisa está errada. Estou fora do time das mulheres que fazem curso de strip-tease ou usam brinquedinhos para aquecer o que já deveria estar aquecido.

Eu faço parte do time das mulheres que foram feitas para se comer em casa.

o poder é podre

A frase é de Isabela Capeto, a estilista preferida de nove entre dez descoladas brasileiras. Aqui, ela conta como exerce seu poder – o de vestir as mulheres que todo o mundo adora copiar.

“Vivo correndo e gosto disso. Reclamo mas gosto. Vivo num paraíso caótico. Sou casada e tenho uma filha. Adoro fazer jantares em casa, adoro ir à praia com a minha filha, tomar chope com amigos e ir ao cinema com meu marido. Sou uma carioca absolutamente comum. Corro como louca pra que tudo fique perfeito. Tento dividir meu tempo de forma inteligente. De vez em sempre me atrapalho. Normal, faz parte. Gosto de fazer milhares de coisas ao mesmo tempo. Enfim, sou parte integrante e fiel participante da geração mulher biônica e não consigo me imaginar de outro jeito”.

Essa é a estilista carioca Isabela Capeto, definida por ela mesma. A moça só esqueceu de dizer que suas criações, sempre coloridas e muito femininas, são objeto de desejo das mulheres mais poderosas do eixo Rio-São Paulo – atrizes, cantoras, fashionistas, toda essa gente que acaba virando referência do que é “moderno”, “descolado” e merece ser seguido. Isabela, de certa forma, desdenha desse poder. Mas é inegável: ele existe. A estilista começou sua carreira há 15 anos, quando se formou na Accademia di Moda em Florença, na Itália. Antes de criar sua própria marca e inaugurar o próprio ateliê, no bairro da Gávea, no Rio, Isabela trabalhou para grifes como Maria Bonita e Lenny. Hoje, ela tem quatro lojas próprias (RJ e SP), 21 multimarcas nacionais e 17 internacionais. Para criar suas coleções, inspira-se em museus e livros. Cada peça é como uma obra de arte: todas são feitas à mão, com bordados, tingidas ou plissadas, com aplicações de rendas antigas, paetês, tules etc.

A coleção do verão 2011 foi inspirada no artista plástico Robert Rauschenberg (foto abaixo), americano considerado um dos artistas de vangaurda da década de 50 e precursor da pop art. A idéia do reaproveitamento e da utilização de materiais de coleções antigas enfatizam a teoria de Rauschenberg, de que arte e vida não deveriam andar tão separadas. Suas combine paintings usavam toda a sorte de produtos encontrados por ele, ao acaso.

 robert rauschenberg

O que seria uma peça perfeita?

Bela, harmônica, condizente. A intenção é deixar a mulher feminina e fazer com que ela se sinta muito bem. Somos aquilo que falamos, que vestimos e comemos. A mulher sempre teve necessidade de se sentir bela e as peças que ela escolhe para vestir são sempre fundamentais (mesmo que muitas vezes, só ela perceba a diferença). Por ser mulher e saber disso, tento fazer o melhor sem perder o real de vista. O caminho que a moda percorre pode ser danoso se não for muito bem cuidado. Se a peça não tem maleabilidade para ir das passarelas para as vitrines e das vitrines para os guarda-roupas, ela pode estar assim, digamos… comprometida.

Como é saber que se você começar a usar ou divulgar uma peça, boa parte das moças vai te “seguir” sem pestanejar?

Me lembra meus tempos de adolescente, época em que todos, inclusive eu, se “rasgavam” por uma mochila ou camiseta da Company. O reconhecimento é gratificante, mas não me faz sentir mais ou menos poderosa. O que muda é a dosagem de responsabilidade. O poder é podre. É preciso manter o bom senso. Gosto de saber que faço bem aquilo que me propus a fazer. É bom demais ver gente vestindo peças minhas. É gostoso saber que alguém deseja e admira aquilo que eu criei. Mas essa coisa do poder de manipular a massa é complicada. Na semana passada, me perguntaram o que eu achava de ser “VIP”. Acho que VIP, eu sou para os meus pais, marido e filha. Na minha opinião, esse estrelato relâmpago, supervalorizado aqui no Brasil, é extremamente cafona. 

Qual a diferença entre moda e estilo?

Bom, moda vem de fora pra dentro e estilo vem de dentro pra fora. A roupa é um instrumento de comunicação. Se juntarmos as vestes aos trejeitos e à postura de uma pessoa, já temos o básico necessário para decifrá-la ou rotulá-la. Às vezes, a gente se surpreende. Afinal, roupas não deixam de ser armaduras, escudos. Vestir-se pode sim ser um jeito de se esconder. É comum que uma mulher mais careta, por exemplo, se sinta mais poderosa quando “carregada” por uma bolsa da Louis Vuitton. Assim como também é comum ver gente que se arruma horas pra parecer desarrumado. O que você gosta de vestir? Se eu fosse uma peça de roupa, seria uma saia. Adoro saias e bijuterias. Faço o estilo simples. Talvez um romântico despojado.

O que você veste para se sentir absolutamente poderosa?

Bom, não sou do tipo que me visto com a intenção de parar o trânsito. Mas, confesso que amei quando vesti um kaftan do Missoni! Me senti o máximo! Usei no meu aniversário, dia 24 de janeiro. (Para quem não sabe, kaftan, não é um espetinho de carne servido em restaurantes árabes. É um vestido longo, meio anos 70. E Missoni é um consagrado estilista italiano).

Quando você pensa em mulher poderosa, quem lhe vem à cabeça?

Helena Pêra, a Mulher-Elástico, personagem de “Os Incríveis”. Também me lembro da Samantha, do seriado “A Feiticeira”.