el vasco

Gosto da pegada. Da mão forte do norte da Espanha, do homem que deixa você acreditar que é ele quem manda. Os cabelos, a nuca, o pescoço, a coxa, os peitos e tudo mais que ele agarre com os olhos vidrados e a respiração descontrolada. Detesto tapas na bunda. Me lembram cenas mecânicas de filmes pornográficos. Na cara, levo quase todos os dias.

Algumas dizem que pernas bem trabalhadas fazem o sexo render bem. Outras olham para a bunda e para as costas, onde pretendem cravar suas garras. Eu olho as mãos. E prezo o silêncio da sintonia. Mãos grandes e firmes. Sorriso não muito simpático. Gentil sim, delicado, não. Cavalheiro e cavalo. Sim, valia a pena [y cómo valió] levá-lo para um canto.

Em vez de me pegar de mão cheia, como eu esperava, ficou passeando com a ponta dos dedos com maestria, como ‘navegador’ que não precisa de bússola. Em um movimento rápido, ficou por cima, de joelhos e com os braços apoiados. Com carne firme para pegar de frente, como quem diz: ‘aqui el que manda soy yo’. Quando baixou o ritmo [desespero], fiquei por cima. Sim, eles ‘deixam’ você brincar de atriz porque são verdadeiros diretores. Fechei os olhos e tombei a cabeça para trás. Com as minhas mãos apoiadas em seu peito, resolvi gozar no meu ritmo sem respeitar o dele. Eu me contorcia, ele se controlava. Tinha sua bomba nas mãos. E bombas deixam os vascos altamente excitados.

break point

A conversa começa com ‘você está aqui na minha mente, na tela do meu computador, no meu corpo’. E ele segue dizendo que sente na pele a temperatura do meu corpo e a sua taquicardia adolescente pulsante. Diz que anda sonhando acordado, que se lembra dos tempos em que me encontrava nas quadras [de tênis]. Dos tempos em que ele não tinha coragem pra me dizer que já sonhava com ‘minha cintura se encaixando na dele’. O que ele não sabia é que muitas vezes era eu quem parava e ficava assistindo. A cada saque, um suspiro. Os movimentos daquele ‘menino’ eram precisos, e, ainda que não fossem, a força empregada nas porradas me deixava meio fascinada. Jogava desde pequeno. Jamais imaginei que ele me observasse ou me desejasse. Nossas poucas conversas eram superficiais e curtas.

Até que, de tanto ler meus textos, essa baixaria sofisticada que descreve minhas sensações, ele resolveu me procurar na ‘private’ para declarar que estava surpreso. O conteúdo do que escrevo fez com que ele sentisse no direito de me descrever as sensações que as minhas confissões lhe despertavam, sem medo, escrúpulos ou pudor. Fiquei assustada e excitada. Abri a guarda. Não existe mulher no mundo que não fique fascinada quando desperta no outro um desejo exposto ou velado. Ser parte de um sonho de adolescente é tão excitante quanto realizá-lo.

Ele começou a me relatar ‘nosso’ passado, falou das vezes em que me viu jogar, descreveu as roupas que eu usava e falou das vezes que já havia se masturbado imaginando me devorar. Senti vontade de cheiro e saliva. Fiquei molhada. Seu discurso era intenso. Parecia um adolescente daqueles que tentam controlar o incontrolável, perdem a noção do tempo, do perigo, perdem tudo, menos a vontade e as certezas que duram pouco.

Ele começa a descrever em detalhes cada pedacinho do que pensava. E chegava perto do que toda mulher gosta. Sua escrita me tirou do sério. Não, nunca estive no sério. Eu lia e não sabia o que fazer com as mãos. Uma entre as pernas e outra no teclado. Ele diz que quer que eu sinta o que meus leitores sentem quando escrevo. Eu aceito. Ele não faz rimas de amor. Ele quer sexo por sexo e isso me deixa ainda mais descontrolada. Depois de uma ou meia hora [perdi a noção de tempo], ele perde o ‘controle’ e diz que quer me encontrar pessoalmente. Para a minha surpresa, eu topo e saio de casa, despenteada, correndo, como se aquilo fosse um filme que tivesse hora marcada para terminar. Me bate o medo do real e o pavor de estar sendo seduzida pelo virtual. Ele escrevia, eu me contorcia.

Em uma espécie de beco, entre o meu prédio e o dele. Ele me beija na boca com uma intimidade assustadora. Ambos completamente ofegantes, assustados, desesperados. Ele desce suas mãos afoitas por todo e cada canto do meu corpo. Fica de joelhos e começa a me lamber como um louco. Ali, já ‘tomada’, deixei meus pensamentos e o controle voltarem pra casa sozinhos.

Depois de horas [minutos] me devorando com a língua, ele volta pro andar de cima, me beija na boca lambuzado pelo meu gosto e me segura pela cintura. Me levanta e faz com que eu cruze minhas pernas ao redor do seu quadril. Me encosta na parede e ‘puta que me pariu’. Destemido, deseperado, descontrolado, casado.

Um adolescente numa churrascaria. Vítima da monogamia.

de 4

parei de respirar. sabe quando a gente é criança e respira fundo [toma ar] pra ir pra debaixo d´água e ver quem aguenta ficar mais tempo sem respirar? é exatamente assim que estou me sentindo. falta pouco muito pra eu te encontrar. o primeiro capítulo começa com o drama do ‘com que roupa eu vou, pra depois tirar’. a frase ‘pelada eu não vou ficar’ também não pode faltar. e, por mais que eu tente me distrair e me ocupar, pensando nas coisas que tenho para fazer [planejar meu mini-futuro, encontrar amigos e amigas, separar as roupas que eu quero lavar, encontrar, nos classificados, o apartamento que eu quero alugar], percebo que na minha testa está escrito: ‘estou no mundo da lua e é lá que eu quero ficar’. ansiedade de menina, coisa que há tempos eu não sentia. vontade de que o amanhã chegue correndo pra me buscar. quero fotografar sua cara de ‘não sei sabendo’ e o meu jeito sem jeito de não saber viver o já.

sonsos e sensíveis, semi-inseguros [sabem de quase tudo]. até em silêncio eles sabem ficar. eles ouvem o que você não ouve, sintonizam batidas e estabelecem ritmos. esses caras trocam acordes no olhar. fazem qualquer mulher gozar.

papo reto

O cu é o orifício mais complexo do corpo humano. Ele é o dono sexo anal, grande fascinação de muitos homens. Ele é a necessidade da mulher em satisfazer seu macho, mesmo que morrendo de dor e não sentindo prazer algum. Porém, ele pode ser o melhor dos sexos, um prazer animal, difícil de ser descrito. Por ser tão misterioso, acaba gerando um prazer “indecente”. Presa e predador. Crime e castigo, a punição da prática do proibido. Certamente, o cu representa mais do que imaginamos na psique do ser humano. Além disso, do cu sai aquilo que todos nós sabemos fazer bem e quase todos os dias: merda.

Mas, voltando ao sexo, o assunto gira em torno da moral e da dor, que transforma o sexo anal num espetáculo de horror. Dar a bunda é pecado. Dar a bunda é sacrifício. Não. Dar a bunda pode ser uma delícia.

Por incrível que pareça, quem me tirou dúvidas sobre sexo anal foi meu pai. Foi ele quem me explicou que sexo não necessariamente está relacionado ao orgasmo. Um pai raro, caro. Louco para caralho. Na minha opinião, exemplar. Como as meninas sempre foram proibidas de falar em masturbação, o lado “sujo” dos prazeres ficava por conta dele ou dos meus amigos. Nunca fui molestada [caso isso passe na cabeça de algum pervertido que considere um absurdo um pai falar sobre sexo com seus filhos].

Num almoço, três amigas, num bistrô. Enquanto uma dizia que só fazia para agradar o marido e que morria de dor, a outra deixava claro que adorava mas sentia-se envergonhada [resquícios de uma educação religiosa maldita].

Eu, sempre perdendo a oportunidade de ficar calada, abri a boca e disse: “Essa dor é a dor da entrada. Se vocês fizerem o movimento contrário ao da retração, ou seja, se ao invés de encolherem a porta de entrada, abrirem espaço, a passagem acontece quase que naturalmente. Nada de gel ! A lubrificação vem da frente para trás. Os homens fazem trabalhos incríveis quando estão obcecados pela bunda”.

E, uma vez dentro, o ideal é que vocês coordenem a velocidade dos movimentos e escolham a posição mais gostosa. Acho que o segredo do sexo anal está no comando dos movimentos. E, ele pertence a dona da bunda. Sexo anal é uma loucura, arrepia até os dedos das unhas. É coisa de bicho. É intenso. Um feromônio de outra ordem, eu diria.

Na mesa ao lado, três homens ouviam atentamente [sem que eu tivesse me dado conta] a conversa. Eu, resolvi fazer uma demonstração com as mãos. Com uma delas fechada, eu simbolizava o orifício mais comentado e valorizado da face da terra. E, usando o dedo indicador da outra mão, eu tentava explicar que, quanto mais fechada e tensa estivesse a mão fechada, mais complicado seria passar até mesmo um alfinete por aquele buraco. Já impaciente, perguntei: _ Deu para entender?

Elas riram. Um dos caras da mesa ao lado, com um sorriso maroto estampado no rosto, disse: “Perfeitamente!”

Que merda! O rótulo da moderninha.