o poder é podre

A frase é de Isabela Capeto, a estilista preferida de nove entre dez descoladas brasileiras. Aqui, ela conta como exerce seu poder – o de vestir as mulheres que todo o mundo adora copiar.

“Vivo correndo e gosto disso. Reclamo mas gosto. Vivo num paraíso caótico. Sou casada e tenho uma filha. Adoro fazer jantares em casa, adoro ir à praia com a minha filha, tomar chope com amigos e ir ao cinema com meu marido. Sou uma carioca absolutamente comum. Corro como louca pra que tudo fique perfeito. Tento dividir meu tempo de forma inteligente. De vez em sempre me atrapalho. Normal, faz parte. Gosto de fazer milhares de coisas ao mesmo tempo. Enfim, sou parte integrante e fiel participante da geração mulher biônica e não consigo me imaginar de outro jeito”.

Essa é a estilista carioca Isabela Capeto, definida por ela mesma. A moça só esqueceu de dizer que suas criações, sempre coloridas e muito femininas, são objeto de desejo das mulheres mais poderosas do eixo Rio-São Paulo – atrizes, cantoras, fashionistas, toda essa gente que acaba virando referência do que é “moderno”, “descolado” e merece ser seguido. Isabela, de certa forma, desdenha desse poder. Mas é inegável: ele existe. A estilista começou sua carreira há 15 anos, quando se formou na Accademia di Moda em Florença, na Itália. Antes de criar sua própria marca e inaugurar o próprio ateliê, no bairro da Gávea, no Rio, Isabela trabalhou para grifes como Maria Bonita e Lenny. Hoje, ela tem quatro lojas próprias (RJ e SP), 21 multimarcas nacionais e 17 internacionais. Para criar suas coleções, inspira-se em museus e livros. Cada peça é como uma obra de arte: todas são feitas à mão, com bordados, tingidas ou plissadas, com aplicações de rendas antigas, paetês, tules etc.

A coleção do verão 2011 foi inspirada no artista plástico Robert Rauschenberg (foto abaixo), americano considerado um dos artistas de vangaurda da década de 50 e precursor da pop art. A idéia do reaproveitamento e da utilização de materiais de coleções antigas enfatizam a teoria de Rauschenberg, de que arte e vida não deveriam andar tão separadas. Suas combine paintings usavam toda a sorte de produtos encontrados por ele, ao acaso.

 robert rauschenberg

O que seria uma peça perfeita?

Bela, harmônica, condizente. A intenção é deixar a mulher feminina e fazer com que ela se sinta muito bem. Somos aquilo que falamos, que vestimos e comemos. A mulher sempre teve necessidade de se sentir bela e as peças que ela escolhe para vestir são sempre fundamentais (mesmo que muitas vezes, só ela perceba a diferença). Por ser mulher e saber disso, tento fazer o melhor sem perder o real de vista. O caminho que a moda percorre pode ser danoso se não for muito bem cuidado. Se a peça não tem maleabilidade para ir das passarelas para as vitrines e das vitrines para os guarda-roupas, ela pode estar assim, digamos… comprometida.

Como é saber que se você começar a usar ou divulgar uma peça, boa parte das moças vai te “seguir” sem pestanejar?

Me lembra meus tempos de adolescente, época em que todos, inclusive eu, se “rasgavam” por uma mochila ou camiseta da Company. O reconhecimento é gratificante, mas não me faz sentir mais ou menos poderosa. O que muda é a dosagem de responsabilidade. O poder é podre. É preciso manter o bom senso. Gosto de saber que faço bem aquilo que me propus a fazer. É bom demais ver gente vestindo peças minhas. É gostoso saber que alguém deseja e admira aquilo que eu criei. Mas essa coisa do poder de manipular a massa é complicada. Na semana passada, me perguntaram o que eu achava de ser “VIP”. Acho que VIP, eu sou para os meus pais, marido e filha. Na minha opinião, esse estrelato relâmpago, supervalorizado aqui no Brasil, é extremamente cafona. 

Qual a diferença entre moda e estilo?

Bom, moda vem de fora pra dentro e estilo vem de dentro pra fora. A roupa é um instrumento de comunicação. Se juntarmos as vestes aos trejeitos e à postura de uma pessoa, já temos o básico necessário para decifrá-la ou rotulá-la. Às vezes, a gente se surpreende. Afinal, roupas não deixam de ser armaduras, escudos. Vestir-se pode sim ser um jeito de se esconder. É comum que uma mulher mais careta, por exemplo, se sinta mais poderosa quando “carregada” por uma bolsa da Louis Vuitton. Assim como também é comum ver gente que se arruma horas pra parecer desarrumado. O que você gosta de vestir? Se eu fosse uma peça de roupa, seria uma saia. Adoro saias e bijuterias. Faço o estilo simples. Talvez um romântico despojado.

O que você veste para se sentir absolutamente poderosa?

Bom, não sou do tipo que me visto com a intenção de parar o trânsito. Mas, confesso que amei quando vesti um kaftan do Missoni! Me senti o máximo! Usei no meu aniversário, dia 24 de janeiro. (Para quem não sabe, kaftan, não é um espetinho de carne servido em restaurantes árabes. É um vestido longo, meio anos 70. E Missoni é um consagrado estilista italiano).

Quando você pensa em mulher poderosa, quem lhe vem à cabeça?

Helena Pêra, a Mulher-Elástico, personagem de “Os Incríveis”. Também me lembro da Samantha, do seriado “A Feiticeira”.

el vasco

Gosto da pegada. Da mão forte do norte da Espanha, do homem que deixa você acreditar que é ele quem manda. Os cabelos, a nuca, o pescoço, a coxa, os peitos e tudo mais que ele agarre com os olhos vidrados e a respiração descontrolada. Detesto tapas na bunda. Me lembram cenas mecânicas de filmes pornográficos. Na cara, levo quase todos os dias.

Algumas dizem que pernas bem trabalhadas fazem o sexo render bem. Outras olham para a bunda e para as costas, onde pretendem cravar suas garras. Eu olho as mãos. E prezo o silêncio da sintonia. Mãos grandes e firmes. Sorriso não muito simpático. Gentil sim, delicado, não. Cavalheiro e cavalo. Sim, valia a pena [y cómo valió] levá-lo para um canto.

Em vez de me pegar de mão cheia, como eu esperava, ficou passeando com a ponta dos dedos com maestria, como ‘navegador’ que não precisa de bússola. Em um movimento rápido, ficou por cima, de joelhos e com os braços apoiados. Com carne firme para pegar de frente, como quem diz: ‘aqui el que manda soy yo’. Quando baixou o ritmo [desespero], fiquei por cima. Sim, eles ‘deixam’ você brincar de atriz porque são verdadeiros diretores. Fechei os olhos e tombei a cabeça para trás. Com as minhas mãos apoiadas em seu peito, resolvi gozar no meu ritmo sem respeitar o dele. Eu me contorcia, ele se controlava. Tinha sua bomba nas mãos. E bombas deixam os vascos altamente excitados.

break point

A conversa começa com ‘você está aqui na minha mente, na tela do meu computador, no meu corpo’. E ele segue dizendo que sente na pele a temperatura do meu corpo e a sua taquicardia adolescente pulsante. Diz que anda sonhando acordado, que se lembra dos tempos em que me encontrava nas quadras [de tênis]. Dos tempos em que ele não tinha coragem pra me dizer que já sonhava com ‘minha cintura se encaixando na dele’. O que ele não sabia é que muitas vezes era eu quem parava e ficava assistindo. A cada saque, um suspiro. Os movimentos daquele ‘menino’ eram precisos, e, ainda que não fossem, a força empregada nas porradas me deixava meio fascinada. Jogava desde pequeno. Jamais imaginei que ele me observasse ou me desejasse. Nossas poucas conversas eram superficiais e curtas.

Até que, de tanto ler meus textos, essa baixaria sofisticada que descreve minhas sensações, ele resolveu me procurar na ‘private’ para declarar que estava surpreso. O conteúdo do que escrevo fez com que ele sentisse no direito de me descrever as sensações que as minhas confissões lhe despertavam, sem medo, escrúpulos ou pudor. Fiquei assustada e excitada. Abri a guarda. Não existe mulher no mundo que não fique fascinada quando desperta no outro um desejo exposto ou velado. Ser parte de um sonho de adolescente é tão excitante quanto realizá-lo.

Ele começou a me relatar ‘nosso’ passado, falou das vezes em que me viu jogar, descreveu as roupas que eu usava e falou das vezes que já havia se masturbado imaginando me devorar. Senti vontade de cheiro e saliva. Fiquei molhada. Seu discurso era intenso. Parecia um adolescente daqueles que tentam controlar o incontrolável, perdem a noção do tempo, do perigo, perdem tudo, menos a vontade e as certezas que duram pouco.

Ele começa a descrever em detalhes cada pedacinho do que pensava. E chegava perto do que toda mulher gosta. Sua escrita me tirou do sério. Não, nunca estive no sério. Eu lia e não sabia o que fazer com as mãos. Uma entre as pernas e outra no teclado. Ele diz que quer que eu sinta o que meus leitores sentem quando escrevo. Eu aceito. Ele não faz rimas de amor. Ele quer sexo por sexo e isso me deixa ainda mais descontrolada. Depois de uma ou meia hora [perdi a noção de tempo], ele perde o ‘controle’ e diz que quer me encontrar pessoalmente. Para a minha surpresa, eu topo e saio de casa, despenteada, correndo, como se aquilo fosse um filme que tivesse hora marcada para terminar. Me bate o medo do real e o pavor de estar sendo seduzida pelo virtual. Ele escrevia, eu me contorcia.

Em uma espécie de beco, entre o meu prédio e o dele. Ele me beija na boca com uma intimidade assustadora. Ambos completamente ofegantes, assustados, desesperados. Ele desce suas mãos afoitas por todo e cada canto do meu corpo. Fica de joelhos e começa a me lamber como um louco. Ali, já ‘tomada’, deixei meus pensamentos e o controle voltarem pra casa sozinhos.

Depois de horas [minutos] me devorando com a língua, ele volta pro andar de cima, me beija na boca lambuzado pelo meu gosto e me segura pela cintura. Me levanta e faz com que eu cruze minhas pernas ao redor do seu quadril. Me encosta na parede e ‘puta que me pariu’. Destemido, deseperado, descontrolado, casado.

Um adolescente numa churrascaria. Vítima da monogamia.

de 4

parei de respirar. sabe quando a gente é criança e respira fundo [toma ar] pra ir pra debaixo d´água e ver quem aguenta ficar mais tempo sem respirar? é exatamente assim que estou me sentindo. falta pouco muito pra eu te encontrar. o primeiro capítulo começa com o drama do ‘com que roupa eu vou, pra depois tirar’. a frase ‘pelada eu não vou ficar’ também não pode faltar. e, por mais que eu tente me distrair e me ocupar, pensando nas coisas que tenho para fazer [planejar meu mini-futuro, encontrar amigos e amigas, separar as roupas que eu quero lavar, encontrar, nos classificados, o apartamento que eu quero alugar], percebo que na minha testa está escrito: ‘estou no mundo da lua e é lá que eu quero ficar’. ansiedade de menina, coisa que há tempos eu não sentia. vontade de que o amanhã chegue correndo pra me buscar. quero fotografar sua cara de ‘não sei sabendo’ e o meu jeito sem jeito de não saber viver o já.

sonsos e sensíveis, semi-inseguros [sabem de quase tudo]. até em silêncio eles sabem ficar. eles ouvem o que você não ouve, sintonizam batidas e estabelecem ritmos. esses caras trocam acordes no olhar. fazem qualquer mulher gozar.