na moita

O adolescente Francisco Ribeiro Eller é a normalidade em pessoa. Gosta de videogame e futebol. Torce pelo Vasco. Tem aulas de bateria. Na escola, os colegas dizem que ele costuma assumir sozinho, erros cometidos em grupo, e os professores contam que já o viram peitar um PM, tomando o partido do menino de rua que o soldado destratava. Tanto os colegas quanto os professores só o chamam de “Chicão”.

Nada lembra o menino que, no começo da década, estrelou um debate nacional sobre a sua educação, que era considerada um “problema”. A não ser pelos cabelos encaracolados, quase louros, e os olhos verdes. Com um metro e setenta de altura e ombros largos, Chicão continua a provocar comentários de que é a cara da mãe. E sua mãe foi a cantora Cássia Eller, que morreu de repente, em 2001, deixando-o no meio de uma disputa que marcou época na justiça.

Sem pai nem mãe, a guarda do órfão era requerida pelo avô materno, o sargento reformado Altair Eller, cujas prerrogativas de parente mais próximo pareciam incontroversas. Mas um parecer do juiz Luiz Felipe Francisco, da 2ª Vara de Órfãos e Sucessões do Rio de Janeiro, entregou sua tutela, até os 21 anos, à nutricionista Maria Eugênia Vieira Martins, a “mãinha” de Chicão, que vivera com Cássia Eller por cerca de quinze anos.

Foi um caso rumoroso, que levou os alunos do Centro Educacional Anísio Teixeira, o CEAT, onde o menino sempre estudou, a fazer piquetes na porta do Fórum, em campanha pró-Eugênia. As irmãs da cantora deram declarações aos jornais, criticando o próprio pai. A mãe de um colega de Chicão entrou no debate com seu testemunho: “Nossos filhos costumavam freqüentar a casa delas. Eugênia não usa drogas, é uma pessoa maravilhosa e sempre agiu como mãe dele”. Exumou-se, para a ocasião, até uma entrevista de Cássia Eller, onde ela dizia que “Eugênia virou dona-de-casa, cuida do meu filho, me ajuda muito e adora fazer isso”. E a escola anexou ao processo os certificados de matrícula. Eram todos assinados por Eugênia.

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o pecado mora ao lado

O cara começa dizendo que sempre se masturba pensando na mulher dele. Eu me assusto, arregalo os olhos. Penso: ‘Estou diante de um milagre ou de um maluco’. Mas, na frase seguinte, ele me ‘tranquiliza’, mostra-se um sujeito ‘normal’ e diz que, na verdade, se imagina chegando em casa mais cedo, do trabalho, e flagrando a esposa aos beijos com a filha da vizinha, que tem dezoito anos.

“Não sou de abusar de crianças, mas transaria com essa ninfeta se tivesse a oportunidade. Ela é gostosa demais e eu fico imaginando como devem ser seus lábios vaginais e seus mamilos. Ela tem uma boca carnuda. É o tipo de menina que sabe que é gostosa e abusa disso. Imagino minha mulher com a boca naqueles seios de ninfeta e fico muito, muito excitado. Na minha fantasia, minha mulher me vê e me chama para participar. Enfio meu pau direto na boca da menina e ela começa a se divertir. Depois, a sento na mesa de jantar, abro suas pernas e começo a chupá-la como um louco. Às vezes, sonho que ela esta sentada no meu rosto, me lambuzando com seu gosto ‘de coisa fresca’. Sim, essa fantasia tem me deixado louco. Depois de chupá-la, meto com força, e, pelas reações, percebo que não é inexperiente. Por dentro, ela é tão quente e molhada que começo a diminuir a intensidade dos movimentos para retardar o orgasmo. Mordo aqueles seios que me deixam louco. Passo a mão pela carne macia que me tira o fôlego. Beijo seus lábios, seu pescoço, aperto aquele quadril magrinho. Já explodindo de prazer, gozo na barriga dela. O jato é tão forte que respinga em seu rosto. Enquanto isso, minha mulher nos assiste e se masturba.”

Ah! Sim. A mulher é coadjuvante. [risos]. Papel super importante!

Ele termina seu relato dizendo que sua mulher é muito conservadora e jamais permitiria que ele transasse com a filha da vizinha. Também faz questão de contar que tem uma filha jovem e que sabe o quanto os pais podem ser protetores. No entanto, acha essa fantasia fantástica e sabe que a maioria dos homens se masturba pensando em ninfetas. Portanto, não se culpa. Só mete a mulher no meio pra não se sentir tão culpado. Palhaço!

passa o rodo

barmesa

Era Sexta-feira da Paixão, por volta de nove da noite. Nessa hora, há dois mil e tantos anos em Jerusalém, Jesus já estava em maus lençóis. Eu estava na Praça Tiradentes, de roupa social, relativamente perfumado apesar do calor, e com um ridículo rodinho de pia nas mãos. O rodo não era resultado da minha adesão a nenhuma seita misteriosa de liturgia pagã. Ou talvez fosse. O rodinho de pia era um dos símbolos sagrados da minha religião naquela noite. Minha religião naquela noite se chamava Silvia Pilz.

Cerca de duas semanas antes disso, Silvia Pilz era apenas um nome assinando uma coluna que muitíssimo me agrada. Um nome sem corpo, ou com todos os corpos que minha imaginação pudesse escolher, e atrelado a uma personalidade bastante forte, textualmente definida.

O nome se personificou através de improváveis mensagens doces na minha caixa de e-mail, e quando surgiu a possibilidade de escrevermos juntos, decidi que era hora de tomarmos um café para definir os contornos dessa parceria.

Ela prontamente aceitou, depois que esclareci não ser um psicopata louco que iria persegui-la pela rua. Originalmente jantaríamos no Cervantes, mas em cima da hora ela optou por irmos ao teatro. A peça era Navalha na carne, de Plínio Marcos, encenada no quarto 107 do Hotel Nicácio, um dos mais reputados antros do entorno da Tiradentes. Um lugar onde dez reais e dez minutos são suficientes para qualquer coisa.

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