patrícia araújo

hentai

Cheguei ao apartamento de Patrícia Araújo, em Copacabana, por volta das 18:00h, numa terça-feira. O susto foi grande. Perdi o fôlego. De cara lavada, calça de moletom e camiseta, Patrícia era ainda mais bonita e sensual do que nas fotos que eu havia visto na Internet.

Logo de cara, perguntei qual era o segredo da pele aveludada daquele lindo rosto. Ela responde: “Água, muita água”. Patrícia não fuma, bebe socialmente, não usa drogas e se preserva. Neste momento, quem pede água e acende um cigarro sou eu, tentando me concentrar e não me perder de vista.

Educada, delicada e extremamente doce, ela pede desculpas por me receber “daquele jeito”. Sim, além de tudo, a moça é modesta. Move-se sem pressa, com a segurança e a determinação de quem sabe exatamente a onde quer chegar. Seus movimentos são todos delicados, sua sensualidade é quase paralisante. É o tipo de mulher que vai ficando mais bonita ao longo da conversa. Exala charme misturado com Angel ou J’adore, seus perfumes prediletos.

Ao longo das quatro horas que passamos ali, o telefone de Patrícia não parava de tocar. Depois de cerca de 15 interrupções, ela perde [com classe] a paciência e desliga o telefone para que nossa conversa não seja mais interrompida.

A bela sentou-se no sofá e abriu seu coração, sem medo ou pudor. Por trás de toda aquela delicadeza, uma mulher forte, determinada, direta e divertida. Sarcasmo discreto e na dose certa. Tipo de mulher que não sai do salto e não perde a pose. E que pose.

A sensação de estar ao lado de uma mulher maravilhosa e imaginar um pinto no meio daquilo era excitante e desconcertante. A minha cabeça girava para cruzar os dados. Mas, vamos ao que interessa. Perguntas e respostas:

Maior elogio recebido.

De uma senhora, no elevador. Ela me olhou com um sorriso puro e disse que eu era uma das mulheres mais bonitas que já havia visto. Não contente, ainda disse que eu arrasaria a Raica, modelo, nas passarelas. Elogio de homem não tem valor.

Verdade que travesti é basicamente procurado basicamente por homens que se dizem heterossexuais?

Procuram por uma mulher com algo mais. São curiosos e sentem prazer com sexo anal. Talvez os traços femininos os deixem mais excitados ou menos constrangidos. Todos dizem que esta é a primeira vez que procuram um travesti [ri]. A gente sabe que é mentira, mas finge que acredita para deixá-los mais à vontade. Tem um que toda semana me diz que é a última vez que vem transar comigo. Coitado! Sente-se culpado por ser casado, ter filhos e sentir prazer em ser comido por um travesti.

Explique para os leigos: qual a diferença entre gay, travesti e transexual?

O gay é um homossexual que não tem o desejo de transformar-se fisicamente. Simplesmente se sente atraído por pessoas do mesmo sexo. O travesti busca ressaltar a sua incontrolável feminilidade e, apesar de esconder o pênis, não abre mão dele. É através do pênis que o travesti sente prazer, atinge o orgasmo. O transexual é o travesti depois da cirurgia de troca de sexo.

Quanto você cobra, em média, por programa?

Cobro 500 reais por uma hora. Sem beijo na boca e sem ter a obrigação de gozar. Se eu não estiver inspirada, esta hora se resolve-se em menos de 15 minutos. Eles normalmente já chegam tão excitados que atingem o orgasmo antes do tempo [ela sorri com merecido deboche].

Se não tivesse que fazer programas, faria o que? Tem ou já teve vontade de seguir alguma carreira?

Meu sonho sempre foi ser modelo ou veterinária. Sou louca por animais. Hoje, sonho em ser atriz.

Você pretende fazer a cirurgia de troca de sexo?

Morro de medo. É uma decisão difícil. Conheço várias que perderam a sensibilidade depois da cirurgia e não conseguem mais sentir prazer. Isso sim é aterrorizante. Talvez, para as mulheres seja mais fácil aceitar a vida sem orgasmo. Mas, para quem é homem, isso é inconcebível.

Por que o travesti precisa ter um pau que funcione?

Porque sentimos prazer, ou seja, atingimos o orgasmo através do pau e porque os homens nos procuram por isso. Não somos passivas. Somos ativas.

O que você tem a dizer para aqueles que têm dificuldade em aceitar que vocês existem?

Somos todos seres humanos. Respeitem as diferenças. Elas fazem parte deste mundo cheio de contradições. O que vendo é meu corpo, nunca minha alma. E isso liberta.’ Ainda assim, confessa que quer parar. ‘É meu sonho, assim que fizer um pé-de-meia bom. Chego lá!’, diz isso e ri. Mas a alegria carioca camufla algumas angústias, que ela vai revelando aos poucos. ‘A minha maior aflição é saber que represento sexo. Ninguém me pergunta se eu li tal livro, ninguém quer bater papo ou ir ao cinema. Sou sinônimo de sexo e isso me deixa carente por um tipo de amor que não esteja vinculado a sexo ou a dinheiro.’ Quando percebe que o papo está ficando cinza, dá a guinada: ‘Por isso, se alguém me leva para tomar uma água de coco na praia e passeia pelo calçadão comigo, leva também meu coração’, ri, debochada.

Agora sim, a trajetória, a travessia, a pedreira que Felipe enfrentou para chegar a Patrícia. Tem que ser muito macho para ser travesti. Saí da casa dela com esta certeza. E olha que minhas certezas foram quase todas pro brejo naquele dia.

Patrícia descobriu que gostava de meninos com 12 anos, quando um menino da escola, André, lhe pediu um beijo. Ela conta que sempre foi muito feminina e chamava mais a atenção dos meninos do que das meninas na escola e na rua. Tal fato intrigava a orientadora da escola, que vivia chamando Patrícia para conversar. “Eu tinha medo de confessar”, diz ela, como se fosse pecado. “Mas, achei que a intenção da orientadora era me ajudar.”. Aos 13, quando assumiu suas preferências sexuais para a tal orientadora, foi expulsa da escola. “Foi um trauma, maior discriminação já sofrida. Uma facada nas costas. Aquele tipo de coisa que não se esquece jamais”, diz.

Conversou com os pais, assumiu sua homossexualidade e foi integralmente apoiada  pelaa família. “A primeira reação do meu irmão mais velho não foi das melhores. Mas, me lembro como se fosse hoje. Meu pai calou a boca dele num segundo, dizendo que eu era filha dele e, que independente das minhas preferências sexuais, ele me apoiaria, sempre”. E, foi exatamente isso que Severino e Terezinha fizeram. Abraçaram o filho caçula e fizeram dele ou dela uma pessoa forte e preparada para lidar com a crueldade de um mundo preconceituoso.

“Minha família me trata com respeito e carinho, tenho um excelente relacionamento com meus irmãos, tanto com o mais velho, Adalberto, como com Maria Cristina, a do meio”. “Sou louca pelos meus dois sobrinhos”, diz ela. E, como toda tia coruja, imediatamente me mostrou as fotos dos meninos.

Com orgulho e gratidão, Patrícia afirma que o apoio deles foi fundamental para que ela não se “perdesse” na vida. “Um porto seguro é tudo que alguém precisa nessa vida”, diz. Patrícia nasceu na Ilha do Governador, no Rio de Janeiro, no dia 11 de março de 1982. Até hoje, vive por lá, com seus pais, Terezinha e Severino, numa casa que ela diz ser maravilhosa. O apartamento em Copacabana é o que ela chama de privé, usado exclusivamente para o atender seus clientes.

Com 13 anos, Patrícia começou a tomar hormônios. Que hormônios? Pílula anticoncepcional e nada mais. “Eu nunca tive muitos pêlos pelos pelo corpo. Nunca tive barba nem gogó”, diz. Há quem pense que o pênis do travesti é atrofiado por causa do excesso de hormônios. Pura ilusão. O pênis de Patrícia, por exemplo, mede 21 cm e ela se orgulha do dote. É seu instrumento de trabalho e sua fonte de prazer. E, pelo que diz a bela, os homens buscam travestis com pênis robustos. Como o sexo, com clientes, é mecânico, ela busca satisfazer-se sexualmente através da masturbação e de relacionamentos afetivos que não envolvam dinheiro. Sim, Patrícia se masturba e, como qualquer outro ser humano, se apaixona.

Começou a se prostituir com 18 anos, quando voltou de São Paulo, após romper um casamento de três anos. “Me casei com 15 anos. Era nova demais e fiquei deslumbrada. Meu marido era mais velho, tinha 40 anos, era apaixonado e ciumento”, conta. “Mas, me apoiou muito. Chegou até a ajudar a minha família”. Foi em São Paulo, patrocinada por ele, que Patrícia fez suas duas cirurgias plásticas. Nariz e silicone nos seios. Ela conta que se acostumou com a boa vida e que, ao se separar do marido, encontrou na prostituição a forma de pagar suas contas e tentar manter seu padrão de vida.

Patrícia cuida muito bem de sua saúde. Não abre mão do uso da camisinha e vai ao médico com frequência. “Tenho uma médica, clínica geral, que me acompanha desde 2002. Confio muito nela”.

Convidada por clientes que ela carinhosamente chama de namoradinhos, Patrícia já foi a Paris, Milão, Beirute e Londres. “Um deles era xeique árabe”, conta. “Aliás, foi ele quem me deu meu primeiro apartamento”, diz.

O psicanalista Sérgio Zaidhaft, especializado no atendimento a transexuais [homens que concretizam a mudança de sexo, extirpando o pênis], atribui a exclusão do travesti do mercado de trabalho “à nossa dificuldade em conviver com alguém que questione os costumes”. Segundo Zaidhaft, o travesti fascina e assusta por ser “a explicitação da ambivalência que todos nós temos”. Ele conta que, não raro, transexuais que concretizam a mudança de sexo acabam sendo abandonados por seus parceiros. O travesti, não. Para o psicanalista, o travesti é uma fantasia manipulável, “que se torna mulher sem abrir mão de ser homem”.

Que a nossa sociedade é preconceituosa, todo mundo sabe. Que o mercado de trabalho é concorrido, também. E poucas pessoas conhecem tão bem essa realidade como as travestis, que enfrentam um mercado de trabalho concorrido com as chagas do preconceito. As travestis que procuram trabalho no mercado formal devem saber de saída que dificilmente ganharão tão bem e tanto como no mercado informal em que boa parte está inserida. Mas ao menos isto não vale somente para as travestis, já que a prostituição também rende muito mais para os homens e mulheres não transgêneros que se prostituem.

na moita

O adolescente Francisco Ribeiro Eller é a normalidade em pessoa. Gosta de videogame e futebol. Torce pelo Vasco. Tem aulas de bateria. Na escola, os colegas dizem que ele costuma assumir sozinho, erros cometidos em grupo, e os professores contam que já o viram peitar um PM, tomando o partido do menino de rua que o soldado destratava. Tanto os colegas quanto os professores só o chamam de “Chicão”.

Nada lembra o menino que, no começo da década, estrelou um debate nacional sobre a sua educação, que era considerada um “problema”. A não ser pelos cabelos encaracolados, quase louros, e os olhos verdes. Com um metro e setenta de altura e ombros largos, Chicão continua a provocar comentários de que é a cara da mãe. E sua mãe foi a cantora Cássia Eller, que morreu de repente, em 2001, deixando-o no meio de uma disputa que marcou época na justiça.

Sem pai nem mãe, a guarda do órfão era requerida pelo avô materno, o sargento reformado Altair Eller, cujas prerrogativas de parente mais próximo pareciam incontroversas. Mas um parecer do juiz Luiz Felipe Francisco, da 2ª Vara de Órfãos e Sucessões do Rio de Janeiro, entregou sua tutela, até os 21 anos, à nutricionista Maria Eugênia Vieira Martins, a “mãinha” de Chicão, que vivera com Cássia Eller por cerca de quinze anos.

Foi um caso rumoroso, que levou os alunos do Centro Educacional Anísio Teixeira, o CEAT, onde o menino sempre estudou, a fazer piquetes na porta do Fórum, em campanha pró-Eugênia. As irmãs da cantora deram declarações aos jornais, criticando o próprio pai. A mãe de um colega de Chicão entrou no debate com seu testemunho: “Nossos filhos costumavam freqüentar a casa delas. Eugênia não usa drogas, é uma pessoa maravilhosa e sempre agiu como mãe dele”. Exumou-se, para a ocasião, até uma entrevista de Cássia Eller, onde ela dizia que “Eugênia virou dona-de-casa, cuida do meu filho, me ajuda muito e adora fazer isso”. E a escola anexou ao processo os certificados de matrícula. Eram todos assinados por Eugênia.

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o pecado mora ao lado

O cara começa dizendo que sempre se masturba pensando na mulher dele. Eu me assusto, arregalo os olhos. Penso: ‘Estou diante de um milagre ou de um maluco’. Mas, na frase seguinte, ele me ‘tranquiliza’, mostra-se um sujeito ‘normal’ e diz que, na verdade, se imagina chegando em casa mais cedo, do trabalho, e flagrando a esposa aos beijos com a filha da vizinha, que tem dezoito anos.

“Não sou de abusar de crianças, mas transaria com essa ninfeta se tivesse a oportunidade. Ela é gostosa demais e eu fico imaginando como devem ser seus lábios vaginais e seus mamilos. Ela tem uma boca carnuda. É o tipo de menina que sabe que é gostosa e abusa disso. Imagino minha mulher com a boca naqueles seios de ninfeta e fico muito, muito excitado. Na minha fantasia, minha mulher me vê e me chama para participar. Enfio meu pau direto na boca da menina e ela começa a se divertir. Depois, a sento na mesa de jantar, abro suas pernas e começo a chupá-la como um louco. Às vezes, sonho que ela esta sentada no meu rosto, me lambuzando com seu gosto ‘de coisa fresca’. Sim, essa fantasia tem me deixado louco. Depois de chupá-la, meto com força, e, pelas reações, percebo que não é inexperiente. Por dentro, ela é tão quente e molhada que começo a diminuir a intensidade dos movimentos para retardar o orgasmo. Mordo aqueles seios que me deixam louco. Passo a mão pela carne macia que me tira o fôlego. Beijo seus lábios, seu pescoço, aperto aquele quadril magrinho. Já explodindo de prazer, gozo na barriga dela. O jato é tão forte que respinga em seu rosto. Enquanto isso, minha mulher nos assiste e se masturba.”

Ah! Sim. A mulher é coadjuvante. [risos]. Papel super importante!

Ele termina seu relato dizendo que sua mulher é muito conservadora e jamais permitiria que ele transasse com a filha da vizinha. Também faz questão de contar que tem uma filha jovem e que sabe o quanto os pais podem ser protetores. No entanto, acha essa fantasia fantástica e sabe que a maioria dos homens se masturba pensando em ninfetas. Portanto, não se culpa. Só mete a mulher no meio pra não se sentir tão culpado. Palhaço!