passa o rodo

barmesa

Era Sexta-feira da Paixão, por volta de nove da noite. Nessa hora, há dois mil e tantos anos em Jerusalém, Jesus já estava em maus lençóis. Eu estava na Praça Tiradentes, de roupa social, relativamente perfumado apesar do calor, e com um ridículo rodinho de pia nas mãos. O rodo não era resultado da minha adesão a nenhuma seita misteriosa de liturgia pagã. Ou talvez fosse. O rodinho de pia era um dos símbolos sagrados da minha religião naquela noite. Minha religião naquela noite se chamava Silvia Pilz.

Cerca de duas semanas antes disso, Silvia Pilz era apenas um nome assinando uma coluna que muitíssimo me agrada. Um nome sem corpo, ou com todos os corpos que minha imaginação pudesse escolher, e atrelado a uma personalidade bastante forte, textualmente definida.

O nome se personificou através de improváveis mensagens doces na minha caixa de e-mail, e quando surgiu a possibilidade de escrevermos juntos, decidi que era hora de tomarmos um café para definir os contornos dessa parceria.

Ela prontamente aceitou, depois que esclareci não ser um psicopata louco que iria persegui-la pela rua. Originalmente jantaríamos no Cervantes, mas em cima da hora ela optou por irmos ao teatro. A peça era Navalha na carne, de Plínio Marcos, encenada no quarto 107 do Hotel Nicácio, um dos mais reputados antros do entorno da Tiradentes. Um lugar onde dez reais e dez minutos são suficientes para qualquer coisa.

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